O Alentejo será a primeira região do país a implementar um projeto de certificação sustentável das adegas, uma iniciativa integrada na estratégia da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. O anúncio foi feito por José Santos, presidente da entidade, à margem do 4.º Encontro Nacional dos Profissionais de Enoturismo, que decorreu em Sines.
José Santos destacou a importância desta certificação para a valorização do enoturismo regional. «O Alentejo distingue-se pela qualidade dos vinhos e somos a região que produz os vinhos preferidos dos portugueses. Queremos que essa qualidade se reflita também na experiência turística. O enoturismo não pode ser apenas visitar uma adega e provar vinho. Tem de ser uma experiência completa, com atividades complementares que acrescentem valor ao território», afirmou.
A certificação sustentável das adegas pretende reforçar a competitividade do enoturismo e posicionar o Alentejo como referência nacional e internacional. «Este é um projeto pioneiro no país e queremos que seja um modelo para outras regiões. A certificação terá em conta critérios de sustentabilidade ambiental, social e económica, valorizando práticas que contribuam para a preservação do meio rural e para a dinamização económica das comunidades locais», explicou José Santos.
A iniciativa surge num contexto de crescente profissionalização do setor, com a abertura de novas adegas enoturísticas que integram espaços de restauração e atividades culturais. «Já não basta ter uma prova de vinhos ou um piquenique na herdade. Os turistas procuram experiências imersivas, que envolvam gastronomia, cultura e contacto direto com os produtores. Temos cada vez mais adegas a criar ofertas diferenciadas, mas precisamos de enquadrar tudo isto numa estratégia conjunta e esta certificação vem ao encontro desse objetivo», acrescentou.
A meta estabelecida é certificar 50 adegas até ao final de 2026. «Este é um dos projetos âncora da nossa estratégia de eficiência coletiva. O vinho tem um papel fundamental na promoção do Alentejo, e esta certificação será uma mais-valia para garantir um enoturismo mais qualificado e sustentável», referiu o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
José Santos também abordou o impacto do enoturismo na economia local, defendendo que esta atividade deve ser um motor de desenvolvimento para as zonas rurais. «O enoturismo contribui para combater o isolamento regional e criar emprego. Recentemente surgiram as primeiras empresas especializadas em tours vínicos no Alentejo, o que mostra que há espaço para crescer. Precisamos de articular melhor os produtores, as adegas e os operadores turísticos para transformar o enoturismo num verdadeiro motor económico», disse.
O responsável sublinhou ainda que a Entidade Regional de Turismo está focada em atrair visitantes durante os períodos de menor procura. «Temos um desafio importante nos meses de menor afluência, entre janeiro e março. Precisamos de criar pacotes e programas que tornem o enoturismo mais apelativo nesses períodos e esta certificação pode ser um argumento adicional para captar turistas», concluiu.
O projeto de certificação sustentável das adegas surge assim como uma aposta estratégica para reforçar a competitividade do enoturismo alentejano, promovendo práticas sustentáveis e impulsionando a economia local.



















