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2025, a comédia e o drama

Em julho de 2021, após 16 anos de actividade como cronista na DIANAFM, decidi abandonar o espaço de opinião publicada.

Regresso agora, por convite de “odigital”, à publicação de opiniões sobre o que me for passando pela cabeça, da música à literatura, da nobre política à “pulhitica” que é a actividade exercida pelos pulhas. Talvez fale mais de cultura do que de qualquer outra coisa, num tempo em que o entretenimento, mascarado de cultura, vai ocupando todo o espaço.

Alguns assuntos serão intocáveis em tudo o que escrever, por entender que fechados ciclos de vida a sua reabertura não me trará qualquer prazer e neste momento da minha vida já não estou para “sofrimentos” desnecessários. Terminada esta declaração de interesses vamos lá a opinar (seja lá isso o que for).

O ano que se aproxima tem tudo para ser uma mistura de drama e comédia, tendo em conta que as eleições autárquicas são sempre fonte para o mais fino humorismo (na concepção teórica de Terry Eagleton) e a aproximação das eleições presidenciais, onde o drama da ameaça de termos novamente um almirante como primeira figura do Estado, após a experiência cómico-trágica de Américo Tomás durante os últimos 16 anos da ditadura fascista.

Como todos sabemos, a ânsia de agradar à maioria é proporcionalmente mais apetecível quanto maior for a proximidade à pequenez do meio onde as candidaturas se inserem, e os últimos episódios em municípios como Loures, onde a linguagem do presidente da câmara eleito pelo PS se aproximou do que pior a extrema-direita produz, é uma pequena amostra do que por aí vem.

A teoria de que à “esquerda” se deve falar com os mesmos artifícios da extrema-direita para não deixar que ocupem espaço, levará a que o neo fascismo nem precise de se esforçar muito para que se legitime um discurso xenófobo, securitário, anti cultura, anti diversidade, que atravesse todo o espectro político.

Espero bem que se salvem destas tentações os do costume, os meus. É mais importante defender a civilização contra a barbárie, do que ganhar eleições com a figura mais popular da terra apenas para colocar uma bandeirinha no mapa, sem consequências políticas neste combate contra o retrocesso civilizacional que se vai instalando como mancha de óleo que se espalha.

Por vezes, a crista da onda é a primeira fase do processo de afogamento.

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