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Seca e morte de peixes entre o pior de 2023 em Portalegre para a Quercus

A seca, a morte de peixes e as folhas de carvalhos-negrais que secaram prematuramente são alguns dos factos negativos de 2023 no distrito de Portalegre apontados pela associação ambientalista Quercus.

Em comunicado, o Núcleo Regional de Portalegre da Quercus considera a seca um dos piores pontos deste ano, com as alterações climáticas a terem-se feito sentir de “diversas maneiras” naquela região.

“A falta de precipitação reflete-se na falta de água no solo e nos cursos de água. Para além dos problemas para a agricultura e pecuária os ecossistemas da região de Portalegre sofrem com a seca”, diz a associação.

No comunicado, em que faz o balanço dos factos positivos e negativos de 2023 naquele distrito alentejano, o núcleo da Quercus lembra também que, “pelo terceiro ano consecutivo”, as folhas de carvalhos-negrais “secaram em pleno verão”.

Esta situação ocorreu em vários concelhos do distrito de Portalegre e as causas “ainda são desconhecidas”, indicam os ambientalistas, admitindo, contudo, que a seca e as ondas de calor possam ter contribuído para o fenómeno.

Além de dar nota negativa às “monoculturas intensivas e superintensivas de olival” que têm sido instaladas na região, “sobretudo em concelhos como Elvas, Avis, Fronteira e Campo Maior”, a Quercus lamenta ainda a mortandade de peixes ocorrida este ano na ribeira de Seda, no concelho de Crato, e no rio Caia, junto a Arronches.

O crescimento de cianobactérias na barragem do Maranhão, em Avis, figura igualmente entre “o pior” de 2023.

“A Agência Portuguesa do Ambiente apontou para as escorrências dos olivais intensivos e superintensivos que terão contribuído para o fenómeno. A par do aumento do calor e da elevada luminosidade, o aumento da instalação desse tipo de culturas poderá agravar ainda mais o fenómeno nessa e noutras albufeiras”, alerta o núcleo regional.

Já quanto aos melhores factos do ano, a Quercus destaca o facto de o Alto Alentejo estar “bem posicionado” na Qualidade Ambiental, através da análise do Índice Sintético de Desenvolvimento Regional, referente a 2021 e que foi divulgada, em junho deste ano, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Esta análise revelou que, ao nível do Índice de Qualidade Ambiental, o Alto Alentejo se situa em sexto lugar nacional”, lê-se no documento.

Outros fatores positivos foram a atribuição da Bandeira Verde aos municípios de Avis (Portalegre) e Alandroal (Évora) e a recolha de resíduos orgânicos domésticos, pois, foram instalados sistemas de recolha de resíduos orgânicos, permitindo que sejam valorizados.

Em 2024, a Quercus disse esperar que “as mudanças políticas” permitam “abandonar” a construção do Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato, mais conhecido como barragem do Pisão, um projeto que “poderá trazer uma grande destruição ambiental” na região.

“Esperamos que 2024 traga o primeiro município ou junta de freguesia a declarar-se livre de herbicidas. Espera-se que haja uma maior utilização do transporte ferroviário, com menor impacto ambiental”, acrescenta a associação ambientalista.

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