A preservação do fabrico de chocalhos foi o principal tema destacado pelo presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Metrogos, durante a inauguração da Feira do Chocalho, que arrancou esta sexta-feira, em Alcáçovas.
Em declarações acompanhadas pelo Jornal ODigital.pt, o autarca alertou para o risco de esta tradição vir a desaparecer e defendeu a necessidade de encontrar novas respostas para garantir a sua continuidade.
“Se mantivermos tudo igual, certamente correremos o risco de o nosso fabrico poder perder-se, e isso estamos a tentar evitar”, afirmou Luís Metrogos, recordando que passaram quase 11 anos desde a classificação do fabrico de chocalhos pela UNESCO.
Município quer construir um caminho com parceiros
O presidente da Câmara reconheceu que o município não consegue, isoladamente, assegurar a salvaguarda deste património, defendendo o envolvimento de entidades e especialistas capazes de contribuir para uma estratégia de continuidade.
“A Câmara Municipal não poderá fazer tudo sozinha, mas tem que dar também o seu contributo. Precisamos de parceiros”, sublinhou.
Segundo Luís Metrogos, o objetivo passa por “construir um caminho” que permita que, no futuro, o fabrico de chocalhos esteja “mais fortalecido” do que atualmente.
“Temos um objeto que é classificado por parte da UNESCO, mas estende-se muito mais num ecossistema muito mais vasto. Cabe-nos a nós a responsabilidade e não gostávamos de ficar associados ao seu desvanecimento”, acrescentou.
O autarca destacou ainda a complexidade do processo artesanal, desde a marcação e corte do metal até à moldagem, cozedura e afinação do chocalho. Esta última etapa, explicou, é determinante para que o objeto produza o som pretendido.
Festival Ressoar integra estratégia de salvaguarda
Entre as iniciativas desenvolvidas pelo município está o Festival Ressoar, cuja primeira edição decorreu nas três freguesias do concelho de Viana do Alentejo.
Luís Metrogos explicou que o evento procurou criar uma ligação entre Viana do Alentejo, Alcáçovas e Aguiar, ao mesmo tempo que contribuiu para o trabalho de salvaguarda do fabrico de chocalhos.
“Arriscámos, fizemos diferente e julgamos que estamos a contribuir para dar mais um passo num momento que é zero para o plano de salvaguarda do fabrico dos chocalhos”, referiu.
O presidente da Câmara recordou também a realização de uma primeira conferência dedicada aos chocalhos, no início do atual mandato, e manifestou a intenção de dar continuidade ao Festival Ressoar nos próximos anos.
Feira do Chocalho deve ser uma montra do concelho
Luís Metrogos defendeu ainda que a avaliação dos eventos não deve depender apenas do número de visitantes ou do consumo registado durante os dias de festa.
“Corre-se o risco de os eventos serem medidos pelo número de pessoas, pela quantidade de cervejas que se vende ou pela quantidade de frangos que se come. Acho que somos todos da concordância de que tem que ser mais do que isto”, afirmou.
Para o autarca, a Feira do Chocalho deve ser aproveitada para divulgar o património, as tradições e os produtos do concelho.
“Nunca temos tantas pessoas como nos eventos e nunca temos uma oportunidade de propagar aquilo que fazemos para tanta gente. Este é um dos momentos essenciais para mostrarmos aquilo em que somos bons, aquilo que temos para oferecer e aquilo que é diferenciador no nosso território”, declarou.
O presidente da Câmara apontou como exemplos o Castelo de Viana do Alentejo, o Santuário de Nossa Senhora de Aires, a Anta Grande do Zambujeiro, o Paço dos Henriques, o património associado ao Tratado de Alcáçovas e o fabrico de chocalhos.



















