Crimes contra idosos: Beja acima de Évora e Portalegre

Indicador da DGPJ contabiliza pessoas lesadas, ofendidas ou vítimas de crimes por cada mil residentes com 65 anos ou mais, em 2025.

Beja registou, em 2025, 18 pessoas com 65 ou mais anos lesadas, ofendidas ou vítimas de crimes por cada mil residentes do mesmo grupo etário. O valor é o mais elevado entre os distritos de Beja, Évora e Portalegre, segundo dados da Direção-Geral da Política de Justiça (DGPJ).

Évora e Portalegre contabilizaram 16 pessoas lesadas, ofendidas ou vítimas por cada mil residentes com 65 ou mais anos. Os valores constam do Destaque Estatístico Anual n.º 108, publicado pela DGPJ em julho de 2026.

Beja acima de Évora e Portalegre

O indicador utilizado pela DGPJ relaciona o número de pessoas idosas lesadas, ofendidas ou vítimas de crimes com a população residente de 65 ou mais anos em cada distrito.

Beja surge com 18 casos por mil residentes idosos, enquanto Évora e Portalegre apresentam 16. No contexto nacional, o distrito de Beja encontra-se no mesmo patamar de Santarém.

Faro regista o valor mais elevado do país, com 23 pessoas por cada mil residentes idosos. Seguem-se a Região Autónoma dos Açores, com 20, e os distritos de Castelo Branco e Setúbal, ambos com 19.

O relatório apresenta informação por distrito e não por município ou região estatística. Por esse motivo, não permite isolar os concelhos do Alentejo Litoral integrados no distrito de Setúbal. A comparação regional fica, assim, limitada aos distritos de Beja, Évora e Portalegre.

Vítimas com 65 ou mais anos aumentaram 30,5%

Em Portugal, o número de pessoas com 65 ou mais anos lesadas, ofendidas ou vítimas de crimes registados pelas autoridades policiais passou de 33.850, em 2020, para 44.161, em 2025. O aumento foi de 30,5%.

No mesmo período, o crescimento entre as pessoas com menos de 65 anos foi de 19,9%. A diferença entre os dois grupos atingiu 10,5 pontos percentuais.

As pessoas idosas representavam 14,2% do total de lesados, ofendidos ou vítimas em 2020. Em 2025, esse peso aumentou para 15,3%, o que corresponde a uma subida de 1,1 pontos percentuais.

O total nacional, considerando todos os grupos etários, atingiu 288.632 pessoas em 2025. Destas, 44.161 tinham 65 ou mais anos.

Crimes contra o património representam 68%

A análise nacional por tipologia criminal mostra que 68% das ocorrências que atingiram pessoas idosas, em 2025, corresponderam a crimes contra o património. Os crimes contra as pessoas representaram 27,5% e as restantes categorias somaram 4,5%.

O furto em residência com arrombamento, escalamento ou chaves falsas foi o crime contra o património com mais pessoas idosas lesadas, ofendidas ou vítimas, num total de 2.712.

Seguiram-se o furto por carteirista, com 1.776 pessoas, o furto em veículo motorizado, com 1.670, e o furto em residência sem arrombamento, com 1.564.

O abuso de cartão de pagamento contabilizou 1.190 pessoas, enquanto a burla por falso familiar ou conhecido atingiu 1.060. A burla informática com transferência imediata de dinheiro registou 999 pessoas idosas.

Estes valores correspondem ao total nacional. O relatório não apresenta uma desagregação destas tipologias para os distritos do Alentejo.

Ofensas e violência doméstica entre os crimes contra pessoas

Entre os crimes contra as pessoas, a ofensa à integridade física voluntária simples foi a categoria com maior número de pessoas idosas, com 3.085 registos em 2025.

A violência doméstica contra cônjuge ou pessoa análoga contabilizou 2.453 vítimas. Seguiram-se a ameaça e coação, com 2.318, e outros crimes de violência doméstica, com 1.581.

A DGPJ registou ainda 92 pessoas idosas em casos de ofensa à integridade física voluntária grave e 21 vítimas de homicídio voluntário consumado.

Dados incluem registos da GNR, PSP e Polícia Judiciária

Os dados abrangem crimes registados pela Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública e Polícia Judiciária. Os casos em que a idade era desconhecida não foram incluídos.

Para calcular o número de vítimas por cada mil residentes idosos, a DGPJ utilizou os dados populacionais do Instituto Nacional de Estatística referentes a 2023.

O organismo informa também que os valores foram revistos após a introdução de alterações no processo de recolha de dados. O relatório foi elaborado no âmbito da recomendação aprovada pela Assembleia da República para reforçar o conhecimento estatístico sobre crimes praticados contra pessoas idosas.

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