Estremoz apresentou este sábado, 21 de fevereiro, o programa oficial das Comemorações do Centenário da Elevação a Cidade (1926-2026), dando início a um conjunto de iniciativas que se estendem ao longo do ano e que têm como eixo central a memória coletiva e o envolvimento da comunidade.
A sessão decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, seguindo-se um espetáculo do Orfeão Tomaz Alcaide. À noite.
Memória como fundamento das comemorações
O presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sadio, sublinhou que o centenário surge na sequência de outras datas marcantes recentemente assinaladas no concelho, como o centenário do Teatro Bernardim Ribeiro e os 50 anos do 25 de Abril.
«Um povo que não tem memória é um povo sem futuro», afirmou, acrescentando que o objetivo passa por preparar «um ano com simbolismo e atividade transversal, da cultura ao desporto e à área social, envolvendo os nossos atores locais e as nossas associações».
O autarca defendeu que a celebração dos 100 anos da elevação a cidade representa «um momento único na história do concelho», sublinhando que se trata de uma data que dificilmente voltará a ser vivida pelas atuais gerações. «Estamos todos a fazer história», referiu.
José Daniel Sadio destacou ainda a intenção de «mobilizar o melhor de Estremoz neste momento e juntar todas as forças vivas», afirmando que, cem anos depois, o concelho «está vivo, tem futuro e orgulha-nos a todos».
Programa estruturado ao longo de 2026
A programação foi apresentada por Hugo Guerreiro, chefe da Divisão de Cultura, Desporto e Juventude, que enquadrou o centenário como um exercício de construção de identidade coletiva.
«Fazer memória é construir memória», afirmou, acrescentando que estas comemorações pretendem celebrar «o momento em que Estremoz se tornou cidade» e reforçar o sentimento de pertença da comunidade.
O responsável recordou o processo histórico que conduziu à elevação a cidade, formalizada por decreto do Ministério do Interior em 31 de agosto de 1926, sublinhando que a decisão surgiu num contexto político complexo.
O programa distribui-se ao longo de vários meses e integra exposições, conferências, concertos, iniciativas educativas, visitas temáticas e homenagens institucionais.
Entre as primeiras iniciativas já em curso destacam-se as exposições “Barristas do Centenário”, dedicada aos bonequeiros de Estremoz, e uma mostra de artes plásticas com obras do acervo municipal, cuja capa do programa é assinada por Rogério Ribeiro.
Em março realiza-se o evento dedicado aos vinhos do concelho, com conferência de José Calado sobre «100 anos de vinho em Estremoz», além de um projeto educativo sobre a transição «de vila a cidade», envolvendo bibliotecas escolares e o Centro de Ciência Viva.
Ao longo da primavera e do verão estão previstas:
- Conferência sobre toponímia, por José Emílio Guerreiro;
- Exposição “100 anos em jornais”, acompanhada de conferência;
- Exposição de artesãos do centenário, com peças da coleção de Hernâni Matos;
- Mostra “100 anos de autores estremocenses” e conferência associada;
- Iniciativa de pintura ao vivo dedicada à cidade;
- “Manhãs no Mercado” e “Noites do Lago”, com participação das filarmónicas e associações locais;
- Atuação da Orquestra Ligeira do Exército;
- Concerto comemorativo do 25 de Abril com o grupo Monda e participação da Banda de Veiros.
No dia 31 de agosto, data da elevação oficial a cidade, realiza-se uma sessão solene da Assembleia Municipal, descerramento de placa comemorativa, entrega de medalhas a instituições centenárias ou quase centenárias e evocação de José Lourenço Marques Crespo, figura associada ao processo histórico.
Estão ainda previstas exposições retrospetivas sobre os 100 anos da cidade, publicação de catálogo, peça de teatro alusiva à vida urbana, concertos da Orquestra Juvenil de Estremoz e da União, gala de jovens talentos e uma obra dedicada aos 100 anos do ensino no concelho.
Em novembro será evocada a figura de Tomaz Alcaide, com espetáculo que junta o Orfeão e canto lírico, bem como conferência sobre a sua vida e obra.
O encerramento das comemorações está previsto com um concerto de Matilde Cid.
Segundo Hugo Guerreiro, a programação aposta no trabalho colaborativo com o movimento associativo e instituições locais, procurando «celebrar a cidade e as ações de cidadania que a constroem».
O centenário da elevação de Estremoz a cidade decorre ao longo de 2026 e envolve iniciativas culturais, educativas, institucionais e comunitárias, centradas na valorização da história local e na projeção do futuro do concelho.





































