António Serrano, CEO da Jerónimo Martins Agro-Alimentar e representante dos mecenas do Fundo de Apoio Social aos Estudantes da Universidade de Évora (FASE-UÉ), lançou o desafio para que a verba angariada através do mecenato possa duplicar no próximo ano, permitindo aumentar o número de estudantes abrangidos pelos apoios.
No ano letivo de 2025/2026, 16 mecenas disponibilizaram 177.470 euros para o FASE-UÉ, verba que permitiu atribuir 81 bolsas a estudantes em situação de carência económica.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, António Serrano defendeu que este apoio assume particular importância perante os custos associados à frequência do ensino superior, sobretudo para alunos deslocados.
“Esta iniciativa é de extrema importância para os jovens que recebem este apoio. De outra maneira não estudariam”, afirmou, considerando que os mecenas devem estar atentos à realidade social das universidades e dos territórios onde estas se encontram.
Segundo o responsável, existem estudantes que acabam por ficar afastados do ensino superior devido às dificuldades económicas das famílias. “Há muita gente que, de facto, não consegue pagar a vida numa cidade universitária e precisa de ajudas”, salientou.
Foi neste contexto que António Serrano revelou ter lançado ao reitor da Universidade de Évora, António Candeias, o desafio de aumentar a capacidade financeira do fundo.
“Lancei o repto ao senhor reitor para tentar angariar pelo menos o dobro para que, no próximo ano, alargasse aquilo que é o perímetro de ajuda”, explicou ao ODigital.pt.
“Isto não é caridade”
António Serrano rejeita que o apoio prestado pelos mecenas aos estudantes seja entendido como uma ação de caridade, enquadrando-o antes na responsabilidade social das empresas.
“Isto não é caridade nenhuma. Isto é uma responsabilidade cívica e social”, afirmou.
O CEO da Jerónimo Martins Agro-Alimentar considera que apoiar financeiramente um estudante que, de outra forma, poderia não conseguir frequentar o ensino superior deve ser encarado como um investimento com impacto futuro na sociedade.
“Nós olhamos para isto como um investimento de natureza social”, referiu, acrescentando que quem consegue obter formação graças a estes apoios poderá mais tarde “dar um contributo no futuro, no retorno à sociedade”.
Na perspetiva de António Serrano, as empresas, sobretudo as de maior dimensão, dispõem de condições para participar neste tipo de iniciativas, embora muitos dos apoios que já existem não sejam conhecidos publicamente.
“As grandes empresas seguem-se por regras de responsabilidade social”, referiu, lembrando que o envolvimento empresarial abrange não apenas o ensino superior, mas também outras áreas de combate à pobreza e à exclusão social.
Em relação à Jerónimo Martins, indicou que o grupo tem participado ao longo dos anos em iniciativas destinadas a apoiar pessoas em situação de necessidade, incluindo estudantes, e que pretende manter a colaboração com a Universidade de Évora.
António Serrano também beneficiou de apoio enquanto estudante
As declarações de António Serrano ao ODigital.pt incluíram também uma dimensão pessoal. O responsável recordou que o seu próprio percurso académico foi possível com o contributo de mecanismos de apoio social.
“Eu fui exatamente fruto dessas iniciativas noutros tempos”, contou, explicando que, sem esse tipo de resposta, poderia ter ficado excluído do acesso ao ensino superior.
Natural de um território rural e estudante numa época em que a entrada na universidade era menos frequente entre jovens provenientes dessas zonas, António Serrano começou por conciliar os estudos com o trabalho.
“No primeiro ano estive a trabalhar. Era trabalhador-estudante”, recordou. Mais tarde, tomou conhecimento da possibilidade de beneficiar de apoio social, candidatou-se e recebeu uma bolsa.
Esse apoio, afirmou, permitiu-lhe concentrar-se nos estudos e prosseguir um percurso académico e profissional.
O responsável chamou ainda a atenção para as dificuldades específicas das instituições localizadas no interior, considerando que estas nem sempre têm a mesma proximidade às grandes empresas que existe nos principais centros urbanos.
Para António Serrano, a Universidade de Évora deve continuar a apresentar projetos concretos ao tecido empresarial e a procurar novos mecenas.
“Ninguém dá dinheiro por dar dinheiro”, afirmou, explicando que os apoios empresariais devem estar associados a projetos com resultados mensuráveis, sejam eles de natureza social, científica ou ligados ao desenvolvimento das comunidades.
O objetivo, defendeu, passa agora por aumentar a dimensão do FASE-UÉ. António Serrano deixou por isso o desafio para que, no próximo ano, seja possível alcançar “o dobro dos dinheiros” angariados e envolver mais empresas no apoio aos estudantes da Universidade de Évora.














