Évora e Vila Viçosa recebem exposições para “chamar a atenção para a herança azulejar”

Este fim-de-semana foram inauguradas em Évora e Vila Viçosa duas exposições que dão a conhecer a obra do pintor e ceramista Jorge Rey Colaço.

Exposições que resultam de uma parceria da DRCAlentejo, Museu-Biblioteca da Fundação Casa de Bragança e Direção-Geral do Património Cultural – Museu Nacional do Azulejo.

A exposição intitulada “Jorge Colaço e a Azulejaria Figurativa do seu Tempo” tem o objetivo de “mostrar a diversidade de propostas que o azulejo permite através de um autor que é Jorge Colaço”, explicou Alexandre Pais, Diretor do Museu Nacional do Azulejo, que acrescentou que “Jorge Colaço é um autor que está próximo de todas as pessoas que habitam no Alentejo, podem vê-lo nas estações de comboios, mas é um autor praticamente ignorado e o objetivo destas exposições é chamar a atenção para a herança azulejar que nós temos para o azulejo português que é uma arte identitária com mais de cinco séculos e também para a figura de Jorge Colaço.”

Sobre a exposição que foi inaugurada em Évora, o Diretor do Museu Nacional do Azulejo frisou que “tem um objetivo muito mais pedagógico, ou seja, é uma exposição pensada para ensinar processos de pintura de azulejo, pois, Jorge Colaço é um autor muito inovador do ponto de vista técnico, ele tem processos técnicos que ainda estamos a tentar perceber, ele era muito inventivo, ele era um pintor de óleo que vem para a azulejaria”.

Já sobre a exposição patente no Paço Ducal de Vila Viçosa, o responsável salienta que “pretende dar a dimensão dele como um autor de História, um autor de temas históricos e também esta relação a sua relação com a Casa Real de Portugal.”

Questionado sobre se os portugueses valorizavam a arte azulear, Alexandre Pais, disse-nos que “é muito interessante ver que são exatamente os outros que mostram aquilo que nos que é original a nós, como é exemplo a história de Dom Fernando II que era um príncipe alemão que se casa com uma rainha portuguesa veio viver para Portugal, constrói o Palácio da Pena, em Sintra, e põe na fachada do palácio azulejo, exatamente porque ele percebeu que era algo original e essa noção de que o azulejo é identitário e a original a nós portugueses e reflete a nossa cultura, ou seja, quero com isto dizer que é algo que nos passa despercebido, estamos tão habituados a vê los que associamos a azulejaria unicamente às casas de banho e às cozinhas e não prestamos atenção a toda esta herança e, portanto, os estrangeiros quando vêm a Portugal valorizam a azulejaria e toda esta herança”.

Já sobre a importância das parcerias entre entidades para a valorização do património, o Diretor do Museu Nacional do Azulejo diz que “é fundamental porque como diz um provérbio africano, se queres ir rápido vais sozinho se quer chegar longe vais com companhia e é exatamente isso, nós temos que ir juntos em momentos tão complicados como estes que estamos agora a viver, nós temos que nos juntar não significa que façamos tudo igual, aliás esta parceria com a Direção Regional de Cultura do Alentejo e com o Paço Ducal de Vila Viçosa com a Fundação da Casa de Bragança é sintomático disso mesmo, ou seja, como um mesmo projeto pode ser desdobrado a criar produtos diferentes, mas que de alguma forma valorizam todos os espaços no qual estão integrados.”

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