Volta a Portugal em bicicleta inicia-se esta semana, com uma passagem pelo Alentejo

Montanha não falta no regresso da Volta a Portugal em bicicleta ao seu figurino habitual, com a 82.ª edição a ‘visitar’ a Torre na terceira etapa e a incluir uma sucessão Larouco-Senhora da Graça antes do contrarrelógio final.

Após uma edição diferente, ‘encurtada’ e ‘deslocada’ no calendário devido à pandemia de covid-19, a 82.ª Volta a Portugal retoma o desenho montanhoso das suas antecessoras, com um traçado que pode muito bem ser o mais difícil dos últimos anos, pela sucessão de metas em alto que prevê: a Torre, desafio maior do pelotão, aparece logo à terceira etapa, na véspera da sempre complicada chegada à Guarda, e o duo Larouco-Senhora da Graça antecede o ‘crono’ final.

Neste ‘mergulho’ pelo interior do país – o prólogo de Lisboa, a primeira e quinta etapas são as exceções à regra -, a Senhora da Assunção também faz a sua aparição (5.ª etapa), testando os efeitos do dia de descanso nos ciclistas, que enfrentarão 33 contagens de montanha entre Lisboa e Viseu, incluindo uma de categoria especial (Torre) e quatro de primeira.

Haverá pouco tempo para respirar nos 1568,6 quilómetros da 82.ª edição, que começa a grande velocidade, na quarta-feira, com o curto e explosivo prólogo de apenas 5,4 quilómetros, com partida e chegada à Praça do Império, perto do Centro Cultural de Belém, ‘responsável’ por atribuir a primeira amarela.

A primeira etapa será também de homenagem a Joaquim Agostinho, com Torres Vedras, cidade daquele que é considerado o melhor ciclista português de sempre, a ser o ponto de partida de 175,8 quilómetros até Setúbal, onde a meta está instalada depois da passagem pela contagem de segunda categoria no Alto da Arrábida, sempre propícia a ataques-surpresa das maiores figuras do pelotão.

Para a segunda tirada está reservada a única ‘estreia’ desta edição, a da cidade alentejana de Ponte de Sor, que acolhe o início de 162,1 quilómetros até ao empedrado da Avenida Nuno Álvares, no centro de Castelo Branco, onde os ‘sprinters’ terão uma das raras oportunidades para brilhar até Viseu.

No sábado, é dia de ‘etapa rainha’ da Volta a Portugal, com o ponto mais alto de Portugal continental a ‘coroar’ uma jornada de 170,3 quilómetros a partir da Sertã, que inclui quatro contagens de montanha, a última das quais, a única de categoria especial, a coincidir com a meta instalada na Torre.

Antes do dia de descanso, o pelotão ainda terá pela frente, na quarta tirada, 181,6 quilómetros entre Belmonte e a Guarda, onde dois prémios de montanha de terceira categoria aguardam os corredores dentro do perímetro urbano da cidade mais alta de Portugal, à qual chegarão já depois de terem ultrapassado uma segunda categoria menos de 30 quilómetros antes do final.

Cumprida a única pausa desta edição, é altura de regressar à estrada para a quinta etapa, com a partida para os 171,3 quilómetros até Santo Tirso, mais concretamente o alto do Santuário da Nossa Senhora da Assunção, a ser dada em Águeda para homenagear os que em 1978 conseguiram, pela primeira vez, roubar protagonismo a Lisboa e Porto ao receber o final da Volta a Portugal desse ano – até aí, a prova sempre terminara ora numa, ora noutra cidade.

O sétimo dia de competição será inteiramente minhoto, com uma ligação de 182,4 quilómetros entre Viana do Castelo e Fafe, onde os homens rápidos terão uma palavra a dizer, na antessala da etapa mais longa desta edição, a sétima, que vai começar em Felgueiras e percorrer 193,2 quilómetros até Bragança.

Será também da cidade brigantina que começa a oitava tirada, uma jornada de 160,7 quilómetros que vai terminar em Montalegre, mais concretamente na Serra do Larouco, após a sempre difícil (e amiúde invernal) subida de 10 quilómetros até ao segundo ponto mais alto de Portugal Continental, a uma altitude de 1.503 metros.

Sem tempo para recuperar, os candidatos enfrentam, no sábado, 14 de agosto, o penúltimo desafio na última etapa montanhosa: desde Boticas ao alto da Senhora da Graça (Mondim de Basto), os corredores percorrem 145,5 quilómetros e têm pela frente dois prémios de montanha de primeira categoria, o último na tão carismática chegada ao topo do Monte Farinha.

Será Viseu, no entanto (e pela sétima vez), a definir a classificação geral final, no tradicional contrarrelógio repleto de rotundas naquela cidade: são 20,3 quilómetros de uma luta individual contra o cronómetro, com fim na Avenida da Europa, para encontrar o vencedor da 82.ª Volta a Portugal.

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