Festival Imaterial em Évora promove património mundial da UNESCO

Um total de 10 concertos, uma conferência internacional, um encontro de música ibérica e a apresentação de um laboratório de investigação, sobre património, artes, sustentabilidade e território, compõem o festival Imaterial, que foi hoje apresentado em Évora.

O festival, que decorre entre 18 e 26 de junho, pretende promover o património imaterial da humanidade consagrado pela organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), do qual o cante alentejano faz parte desde 2014, “na companhia do fado, do flamenco e de vários outros géneros musicais planetários que devem ser protegidos e valorizados”, explica uma nota de imprensa enviada à agência Lusa.

O Imaterial tem a sua estreia “em pleno” prevista para 2022, ano a partir do qual contará com palcos em vários municípios alentejanos, mas avança já este ano com “uma edição especial” que decorre exclusivamente em Évora, em local ainda a divulgar pela organização.

A direção e curadoria do Imaterial são da responsabilidade de Carlos Seixas, diretor artístico do Festival Músicas do Mundo, de Sines, e de Luís Garcia, programador do município de Évora ligado a festivais como o ViváRua e o Artes à Rua.

Para Carlos Seixas, trata-se de “um festival que apresenta um cartaz paritário, colocando-se, assim, na frente de combate à desigualdade de género”.

“Um espaço intercultural favorável a uma melhor compreensão das tradições e uma aproximação ao que será o verdadeiro som do mundo”, disse o curador na apresentação do festival, que decorreu hoje no salão nobre da Câmara Municipal de Évora.

Por sua vez, Luís Garcia descreveu o evento como “uma sucessão de episódios, de encontros, que envolvem criação artística, músicas dos povos do mundo, diálogos interculturais e fruição do património, numa espécie de centrifugadora de emoções”.

Desta forma, o festival arranca em 18 de junho com um concerto de Ballaké Sissoko, do Mali, e prossegue no dia seguinte com Aynur, do Curdistão (Turquia), além dos Concordu & Tenore Orosei, da região italiana da Sardenha, aos quais se junta, em palco, o Grupo de Cantares de Évora sob a direção artística de Ernst Reijseger.

Em 20 de junho é a vez da húngara Mónika Lakatos dar a conhecer o seu trabalho, antes de subir ao palco a portuguesa Aldina Duarte, e em 21 de junho atuam Mastafa Said, do Egito, e Egschiglen, da Mongólia.

Mari Kalkun, da Estónia, sobe ao palco em 22 de junho, no mesmo dia que os franceses San Salvador, da região da Occitânia, enquanto no dia seguinte Faghana Qasimova, do Azerbaijão, encerra o cartaz de concertos.

No entanto, a música prossegue nos três dias seguintes, de 24 a 26 de junho, com o Iberian Music Meetings, uma “plataforma profissional” que visa “a promoção de artistas ibéricos cuja criação esteja ancorada nas raízes populares, nas músicas tradicionais e na tradição oral”.

“Ao longo de três dias, preenchidos por conferências, mesas redondas, oficinas, ‘speedmeetings’ e ‘showcases’, as músicas de raiz e expressão ibérica mostrar-se-ão a um amplo conjunto de programadores, agentes, promotores, produtores, editoras, técnicos e jornalistas de todo o mundo, potenciando o alcance internacional da sua expressão e assumindo um compromisso de celebrar as músicas ligadas ao passado, garantindo-lhes também a viabilidade de um futuro”, refere a nota de apresentação do Imaterial.

Em simultâneo, terá lugar, em 24 de junho, uma Conferência Internacional sobre Património Imaterial para “alimentar a discussão e a reflexão” sobre este tipo de património, que juntará “vários dos maiores especialistas mundiais nesta matéria, acolhendo ainda uma série de conferências paralelas” que irão debater o património “tanto imaterial como edificado e a sua relação contemporânea com as heranças regionais”.

Em 25 de junho, será apresentado o laboratório de investigação IN2PAST (Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território), projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia que terá a Universidade de Évora como sede, mas envolve também, entre outras, a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Minho.

Durante todo o festival decorre a residência artística, que proporcionará “um encontro e um diálogo que ultrapassa quaisquer dificuldades de comunicação através da linguagem falada” entre os vários artistas participantes no festival Imaterial.

“A ideia foi simples: a de criar encontros entre tradições de canto polifónico, partindo, como é evidente, do cante alentejano. Olhar a cultura local e partir em busca de expressões semelhantes e com as quais a proximidade de linguagens possa promover esta ideia de que, por mais quilómetros que se intrometam, haverá sempre mais a unir-nos do que a separar-nos”, explica a organização.

Após a residência artística, os trabalhos conjuntos serão apresentados publicamente através de um concerto ao ar livre, “aberto a todo o público que se quiser tornar testemunha da música resultante desta escuta mútua”.

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