“Um processo que deixe marca na cidade e na região”, diz autarca de Évora sobre a candidatura Capital Europeia da Cultura

Realiza-se esta quinta e sexta-feira, o Workshop Internacional “Culture Capital Cities”, que lança o processo de candidatura da cidade alentejana a Capital Europeia da Cultura, em 2027.

Após a primeira fase de estudo do processo, com início há dois anos, a cidade começa agora a fase de elaboração da candidatura oficial, que deverá ser apresentada à União Europeia no próximo ano.

Carlos Pinto Sá, Presidente da Câmara Municipal de Évora e António Ceia da Silva, Presidente da Entidade Regional de Turismo, reforçaram o objectivo de que Évora seja a cidade portuguesa escolhida para Capital Europeia da Cultura na sessão de abertura do evento, que contou também com a presença de Ana Paula Amendoeira, Directora Regional da Cultura do Alentejo. A importância regional da candidatura e a abertura do processo à sociedade civil foram os aspectos destacados.

“O objectivo é apresentar uma candidatura ganhadora e afirmar Évora como Capital Europeia da Cultura”, referiu Carlos Pinto Sá, acrescentando, no entanto, que é importante que “seja também um processo que deixe marca na cidade e na região e que possa contribuir para o desenvolvimento local, independentemente do resultado para 2027”. “Existe uma estratégia cultural que inclui a candidatura. O objectivo é transformar a cidade de Évora e dar-lhe peso nacional e internacional”.

Apresentando os vários elementos ao nível do património, ambiente e cultura que distinguem Évora como candidata a Capital Europeia da Cultura, o Presidente da Câmara sublinha como “num mundo globalizado é essencial a capacidade de reforçar a diferença e a identidade”, sendo importante “manter as raízes com o passado» mas também «olhar o futuro e ter capacidade de evoluir como sociedade, algo para o qual a cultura é essencial”.

 António Ceia da Silva, Presidente da Entidade Regional de Turismo, afirma que este é um momento histórico, equiparável à classificação do centro histórico de Évora como Património da Humanidade pela UNESCO, sublinhando o potencial de “uma revolução ao nível cultural, da requalificação urbana, dos eventos e da vivência cultural, decisiva para Évora e para o Alentejo”. Salientando como o turismo pode também contribuir para a candidatura, reforça ainda a importância do Património Imaterial, como o cante alentejano, que representa a identidade da região.

“Esta não é uma candidatura só de Évora. É uma candidatura que está associada a todo o Alentejo e isso tem um peso completamente distinto. Não se está a trabalhar numa cidade em si mesma, mas numa forma em que a elevação dessa cidade a Capital Europeia da Cultura seja importante para toda a região”, refere António Ceia da Silva, acrescentando que o processo de candidatura, para a qual todas as entidades regionais são essenciais, pretende ser inclusivo e aberto a toda a sociedade civil.

Referindo-se à candidatura de Évora como uma “utopia realizável”, a Directora Regional da Cultura, Ana Paula Amendoeira, afirma que “a região é fundamental para este projecto” e que existe nesta cidade uma “indispensável centralidade crítica nos tempos globais, em que a cultura é cada vez mais uma periferia”.

Ana Paula Amendoeira finaliza a sessão de abertura com uma reflexão sobre os desafios da cultura europeia e o papel das Capitais Europeias da Cultura, que devem ter a “sabedoria de convocar todas as artes e conhecimento para se construir» e destacar as diferenças, mas também criar um sentimento de pertença europeu, que coloque a cultura como base do desenvolvimento”.

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