Dez projetos e duas ideias para o Alentejo foram selecionados na oitava edição do Programa “Promove”, da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI e em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). As iniciativas incluem cuidados de saúde para idosos, investigação agrícola, conservação da biodiversidade e valorização do património.
A região conta com seis projetos-piloto, quatro projetos de investigação e desenvolvimento e duas ideias desenvolvidas por estudantes do ensino superior. Entre os territórios expressamente identificados no comunicado estão Castro Verde, Serpa, o Baixo Alentejo e o distrito de Portalegre.
Cuidados para idosos e vigilância de doenças em Portalegre
Na área da saúde, o projeto Cuidados de Saúde Especializados para Idosos do Interior, liderado pela Usawa Care, pretende “melhorar o acesso a cuidados geriátricos especializados”, segundo o comunicado.
A proposta assenta num modelo de proximidade, com acompanhamento médico e de enfermagem geriátrica contínuo, apoiado por tecnologia digital e inteligência artificial supervisionada.
No distrito de Portalegre, o ZOA-NET, do centro Global Health and Tropical Medicine da Universidade Nova de Lisboa, propõe desenvolver um sistema de vigilância do risco de zoonoses aquáticas. A investigação articula as dimensões humana, animal e ambiental.
Também coordenado por uma unidade de investigação da Universidade Nova de Lisboa, o BatScope vai estudar populações de morcegos, acompanhando a evolução dos vírus e dos mecanismos de resistência a antimicrobianos. O objetivo é desenvolver modelos de prevenção e mitigação de riscos biológicos, associados à conservação da biodiversidade e à saúde pública.
Agricultura com bactérias, sensores e inteligência artificial
O BioProACE, liderado pela InnovPlantProtect, prevê criar uma coleção de bactérias autóctones da região EUROACE, que abrange o Alentejo, a região Centro e a Extremadura espanhola. Estes microrganismos serão estudados como fonte de substâncias para utilização na agricultura.
Já o AGRO360 — Da terra à nuvem, do Instituto de Investigação Agrária e Veterinária, pretende combinar imagens de satélite, sensores ambientais e inteligência artificial num sistema de vigilância fitossanitária e gestão agrícola. A deteção precoce de pragas e de situações de stress nas plantas está entre as aplicações previstas.
No Baixo Alentejo, um projeto liderado pelo Instituto Politécnico de Coimbra vai testar um modelo de produção sustentável de medronheiro. A investigação avaliará a adaptação, o vigor, a sobrevivência e o desempenho de diferentes genótipos em sequeiro e regadio.
A cultura do tomate de indústria é o foco do EXU-PROTECT, da unidade GREEN-IT da Universidade Nova de Lisboa. O projeto pretende desenvolver estratégias biológicas para mitigar a murchidão vascular provocada pelo fungo Fusarium oxysporum, recorrendo a exsudados das raízes e a consórcios de microrganismos.
Observação de aves em Castro Verde e biobanco no Alentejo
A Liga para a Protecção da Natureza lidera a Rede de Observatórios de Birdwatching e Ciência Cidadã da Reserva da Biosfera de Castro Verde.
A iniciativa pretende organizar a procura pela observação de aves, associando esta atividade à conservação da natureza, à produção de conhecimento e à dinamização da economia local.
A Universidade de Évora coordena, por sua vez, um projeto para criar um biobanco ambiental de água doce no Alentejo, alimentado por energia solar. A estrutura destina-se à conservação da biodiversidade e dos recursos genéticos da região mediterrânica, procurando assegurar o seu funcionamento perante fenómenos hidroclimáticos extremos.
Cavalo lusitano, arquitetura e agroecologia em Serpa
A conservação do cavalo puro-sangue lusitano está no centro do LusoValor, liderado pelo Centro de Investigação Interdisciplinar em Sanidade Animal da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa.
O projeto pretende identificar marcadores que permitam avaliar a aptidão do sémen para congelação, apoiando a seleção de reprodutores e a conservação dos recursos genéticos da raça.
Entre as ideias selecionadas está o RESPIGAR — A cultura do habitar alentejano como matéria criativa, da Universidade de Évora. A proposta prevê juntar estudantes universitários e artesãos do Alentejo no desenvolvimento de soluções de arquitetura e design.
O Instituto Politécnico de Beja está associado à ideia de criação do Campo Experimental de Agroecologia Regenerativa de Serpa (CEARS). O espaço pretende promover demonstração, formação, aprendizagem e cooperação entre agricultores da região e a comunidade escolar com necessidades específicas.
Programa atribui cerca de seis milhões de euros a nível nacional
A edição de 2026 do Programa Promove atribuiu cerca de seis milhões de euros em apoios a fundo perdido a 32 projetos e 23 ideias em todo o país. Foram recebidas 184 candidaturas.
Desde o lançamento, em 2018, o programa mobilizou cerca de 29,4 milhões de euros, apoiando 164 projetos e 90 ideias. Segundo o comunicado, as candidaturas à nona edição abrem no final de novembro.

















