O presidente da Câmara de Redondo afirma que os simulacros realizados anualmente, o conhecimento do terreno e a limpeza das áreas florestais contribuíram para a resposta ao incêndio. Às 11h00 deste domingo não existiam frentes ativas nem tinham sido registadas habitações em risco.
O trabalho de prevenção desenvolvido ao longo do ano na Serra d’Ossa ajudou a organizar a resposta operacional e a reduzir a velocidade de progressão das chamas, segundo o presidente da Câmara Municipal de Redondo, David Galego.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, pelas 11h00 deste domingo, o autarca explicou que o incêndio permanecia em resolução, com operacionais distribuídos pela serra e a acompanhar situações pontuais.
«Neste momento já não há nenhuma frente ativa. Já estamos aqui em fase de resolução. Ainda não em rescaldo, mas a acompanhar algumas situações pontuais que ainda estão a surgir», afirmou.
David Galego adiantou que não foram ameaçadas casas e que os danos conhecidos até ao momento não eram elevados.
«Não houve habitação em risco, os estragos não são assim tão avultados, felizmente», declarou ao Jornal ODigital.pt.
Simulacros prepararam resposta no terreno
O presidente da Câmara de Redondo destacou o planeamento realizado antes do período de maior risco de incêndio, que inclui exercícios de evacuação e de combate às chamas.
«Todos os anos fazemos aqui um simulacro», referiu David Galego, explicando que este trabalho permite identificar previamente as habitações isoladas, contactar os moradores e localizar os pontos onde os meios podem abastecer-se de água.
Segundo o autarca, a preparação permite igualmente definir os procedimentos a adotar perante uma eventual retirada de moradores ou a necessidade de deslocar meios para zonas de acesso condicionado.
«São pequenos pormenores, mas que, treinados, depois o resultado é muito mais eficaz», acrescentou.
O conhecimento do terreno por parte dos elementos locais foi também apontado como um dos fatores que facilitaram a orientação dos meios mobilizados para a Serra d’Ossa.
Limpeza dos terrenos abrandou progressão das chamas
David Galego salientou ainda o trabalho de gestão florestal desenvolvido pelos proprietários e pelas empresas com atividade na serra.
O autarca referiu a limpeza dos terrenos e dos aceiros nas propriedades do Convento de São Paulo, assim como os trabalhos realizados pelas empresas ligadas à exploração florestal.
De acordo com o presidente da câmara, estas intervenções fizeram com que «a forma como as chamas podem avançar» fosse mais lenta, permitindo mobilizar e posicionar os meios de combate.
«A prevenção é fundamental», afirmou.
O autarca destacou igualmente o trabalho desenvolvido pelos Bombeiros Voluntários de Redondo no acompanhamento das intervenções realizadas ao longo do ano na serra.
Incêndio começou junto ao limite dos dois concelhos
O incêndio deflagrou ao início da noite de sábado numa zona próxima da fronteira entre os municípios de Redondo e Estremoz.
«O incêndio deflagrou ali na zona de fronteira entre os dois concelhos», explicou David Galego.
O responsável destacou a articulação estabelecida entre os dois municípios e a presença, durante a noite, do presidente da Câmara de Estremoz, José Daniel Sádio, e de elementos do executivo municipal.
Redondo e Estremoz mobilizaram os meios disponíveis para apoiar as operações e assegurar a logística necessária ao dispositivo instalado no terreno.
Câmara assegurou alimentação e distribuição de água
A Câmara de Redondo ficou responsável por parte da logística do teatro de operações, incluindo a preparação de refeições e a distribuição de água aos operacionais.
«Da nossa parte foi coordenar toda a logística para que as operações pudessem funcionar da melhor forma», disse David Galego.
O apoio contou também com a participação de habitantes da Serra d’Ossa, proprietários e elementos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Redondo.
O presidente da câmara agradeceu o trabalho dos bombeiros, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, dos sapadores florestais, da Guarda Nacional Republicana, das estruturas da Proteção Civil e dos restantes elementos envolvidos.
«O combate que foi feito durante a noite foi muito eficaz. As máquinas de rastos funcionaram muito bem e os operacionais também», afirmou.
David Galego referiu ainda que há cerca de 20 anos não ocorria na Serra d’Ossa um incêndio com estas proporções. O autarca indicou igualmente que tinham sido registadas três ou quatro ignições na zona durante as últimas semanas e meses, sem estabelecer uma relação entre essas ocorrências e o incêndio de sábado.

















