Diogo Almeida Lopes: «Montemor-o-Novo influenciou a forma como vejo e faço as coisas»

Designer, DJ e road manager fala sobre a influência cultural de Montemor-o-Novo, criatividade e uma carreira construída entre diferentes projetos, música e milhares de quilómetros na estrada.

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Design, música, DJing, produção e milhares de quilómetros percorridos na estrada fazem parte de uma vida profissional que Diogo Almeida Lopes nunca procurou limitar a uma única profissão. No VÄLIDO Talks, o criativo fala sobre um percurso construído através da curiosidade e destaca a influência que Montemor-o-Novo teve na forma como encara o trabalho e a própria criatividade.

A ligação à cidade atravessa uma conversa onde o design e a música se encontram com uma ideia recorrente: não aceitar que exista apenas uma forma de fazer as coisas.

Para Diogo Almeida Lopes, crescer num território marcado por diferentes projetos e expressões culturais ajudou a desenvolver uma forma própria de observar e criar. «Montemor-o-Novo influenciou a forma como vejo e faço as coisas», afirma durante a conversa.

Uma carreira que não cabe numa única profissão

Definir profissionalmente Diogo Almeida Lopes implica juntar diferentes atividades.

O design gráfico ocupa uma parte importante do percurso, mas a música acompanha-o desde cedo e acabaria por assumir também uma dimensão profissional através do DJing.

A estas áreas junta-se o trabalho enquanto road manager, que acrescenta viagens e uma intensa vida na estrada a uma agenda já repartida entre diferentes projetos e clientes.

A multiplicidade não é encarada como ausência de um rumo. Pelo contrário, resulta da vontade de continuar a explorar interesses diferentes e de aproveitar competências adquiridas numa área para responder a desafios noutra.

A curiosidade tornou-se, nesse processo, uma ferramenta profissional.

«É preciso perguntar porquê»

Questionar aquilo que parece adquirido é uma das ideias que Diogo Almeida Lopes transporta para o trabalho criativo.

«É preciso perguntar porquê», defende, associando essa atitude à capacidade de procurar soluções diferentes em vez de reproduzir automaticamente aquilo que outros já fizeram.

Essa forma de pensar aplica-se igualmente às ferramentas utilizadas.

Duas pessoas podem trabalhar com exatamente os mesmos meios e chegar a resultados completamente distintos, porque aquilo que diferencia o resultado não é apenas a tecnologia ou a ferramenta disponível, mas a experiência, o pensamento e a sensibilidade de quem a utiliza.

Num contexto profissional em que as ferramentas digitais estão cada vez mais acessíveis, essa componente humana assume, para Diogo, particular importância.

Quando as ideias deixam de aparecer

A criatividade não funciona, porém, de forma constante.

Os bloqueios criativos fazem parte do processo e Diogo Almeida Lopes reconhece os momentos em que é necessário interromper uma tarefa, procurar outros estímulos ou simplesmente afastar-se temporariamente de determinado problema.

Em vez de encarar esses períodos como ausência de capacidade criativa, considera-os parte natural de um trabalho onde existe pressão para encontrar soluções.

A experiência permitiu-lhe também perceber que insistir nem sempre significa permanecer diante do mesmo problema. Por vezes, a resposta surge precisamente quando a atenção é desviada para outro contexto.

Milhares de quilómetros numa semana

A diversidade de projetos tem um lado menos visível: a logística.

O trabalho enquanto road manager coloca Diogo Almeida Lopes frequentemente na estrada, chegando a acumular milhares de quilómetros numa semana.

Viagens, horários, clientes e diferentes projetos obrigam a uma gestão constante do tempo, sobretudo quando a atividade profissional tem de ser conciliada com a vida familiar.

Pai, Diogo reconhece que essa articulação obriga a estabelecer prioridades e a encontrar equilíbrio entre a disponibilidade exigida pelo trabalho e o tempo dedicado às pessoas mais próximas.

Criar através das pessoas

O trabalho em equipa é outro elemento que destaca.

Para Diogo Almeida Lopes, juntar pessoas com competências e perspetivas diferentes pode permitir chegar a resultados que dificilmente seriam alcançados individualmente.

As sinergias criadas entre profissionais tornam-se, por isso, parte do próprio processo criativo.

É também uma lógica que ajuda a explicar um percurso profissional onde diferentes atividades não vivem necessariamente separadas. Design, música e estrada alimentam experiências distintas que acabam por se cruzar.

Curiosidade para continuar a aprender

Apesar das várias áreas em que trabalha, Diogo Almeida Lopes não apresenta o percurso como terminado ou definitivamente estabelecido.

A aprendizagem contínua e a curiosidade permanecem associadas à possibilidade de crescer profissionalmente e experimentar novas direções.

Persistência e capacidade de adaptação — incluindo a capacidade de “desenrascar” quando surgem problemas inesperados — são características que identifica num percurso feito menos de um plano fechado e mais de sucessivas oportunidades, experiências e escolhas.

No final, a realização profissional não surge desligada da vida pessoal.

Quando a conversa chega à felicidade, família e pessoas próximas assumem um peso que ultrapassa projetos, clientes ou reconhecimento profissional.

A entrevista a Diogo Almeida Lopes integra a parceria entre o Jornal ODigital.pt e o VÄLIDO Talks, que leva aos leitores algumas das histórias e reflexões dos convidados do podcast.

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