Mourão quer transformar o regresso dos emigrantes numa oportunidade para captar investimento, criar emprego e fixar população. A estratégia foi defendida pelo presidente da Câmara, João Fortes, e pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.
Os dois responsáveis falaram no sábado, 15 de agosto, durante a inauguração do Monumento de Homenagem ao Emigrante, no Largo das Portas de São Bento, em Mourão.
Regresso dos emigrantes assume caráter estratégico
Segundo João Fortes, a perceção do município é de que tem aumentado o número de emigrantes interessados em regressar ao concelho depois de vários anos no estrangeiro.
A autarquia pretende apresentar a estas pessoas os incentivos disponibilizados pelo Estado e as condições entretanto criadas em Mourão, nomeadamente nas áreas do desporto, cultura e educação. O presidente da Câmara destacou também a futura entrada em funcionamento de uma creche.
«Queremos acreditar que estas pessoas trarão mais valor acrescentado para o município, riqueza e, eventualmente, a criação de novas oportunidades económicas», afirmou João Fortes.
O autarca revelou que Mourão tem recebido emigrantes com idades, sobretudo, entre os 40 e os 50 anos. Alguns já encontraram emprego no concelho, incluindo na própria autarquia.
João Fortes considera que estas pessoas regressam com vontade de participar na economia local. «Eles querem criar valor, querem criar riqueza», declarou, defendendo que o fenómeno deve ser encarado como «um fator estratégico, não de circunstância nem de conjuntura, mas estratégico de crescimento da nossa comunidade».
Governo prepara política para envolver a diáspora
Também Emídio Sousa defendeu que as comunidades portuguesas devem ser envolvidas de forma mais direta na economia nacional e no desenvolvimento dos territórios de origem.
«Nós percebemos que o emigrante foi e é muito importante para a nossa economia. Mantém a ligação às nossas terras e é um ativo estratégico», afirmou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
O governante revelou que está a ser preparada uma política pública destinada a envolver os emigrantes em atividades económicas relacionadas com exportações, importações e investimento.
«Estamos agora a tentar desenvolver uma nova política pública que envolva o emigrante em negócios, quer de exportação, de importação, quer de investimentos que eles podem fazer», explicou.
Emídio Sousa considera que o reconhecimento público prestado aos emigrantes pode reforçar a ligação aos territórios de origem e influenciar futuras decisões de investimento.
Para o secretário de Estado, essa relação é igualmente visível durante o verão, quando muitos emigrantes regressam temporariamente a Portugal. A sua presença tem impacto no comércio, restauração e festas locais.
As remessas enviadas para Portugal e os investimentos na construção ou aquisição de habitação foram também apontados pelo governante como contributos para a economia.
Turismo e hotelaria entre as oportunidades em Mourão
João Fortes identificou os setores do turismo, hotelaria e serviços como áreas onde os emigrantes que regressam podem aplicar as poupanças acumuladas no estrangeiro.
O presidente da Câmara considera que o concelho dispõe de condições para receber novos projetos empresariais e que o investimento dos emigrantes poderá criar postos de trabalho.
«Temos que lhes fazer acreditar que o melhor que podem fazer é investir aqui na sua terra, criar postos de trabalho e também fazer render aquilo que com dificuldade criaram lá fora», afirmou.
A estratégia municipal passa, assim, por apresentar Mourão não apenas como uma possibilidade de regresso, mas também como um território onde os emigrantes podem desenvolver atividade económica.
Saída de população marcada pela falta de emprego
O presidente da Câmara recordou que a emigração no concelho foi motivada, em vários períodos, pela redução das oportunidades de trabalho.
Segundo João Fortes, Mourão perdeu cerca de um terço do território com a construção do empreendimento de Alqueva e foi afetado pelo encerramento da fábrica de papel da Portucel, que empregava entre 200 e 300 pessoas.
Sem a substituição daquela unidade industrial por outra atividade com capacidade semelhante de criação de emprego, vários habitantes partiram para países como França, Inglaterra e Suíça.
«Temos que reconhecer esse esforço que foi feito, porque custa muito sair do meio familiar onde cresceram, onde estudaram, para ir para um sítio desconhecido», afirmou o autarca.
João Fortes referiu ainda as dificuldades de integração e as situações de xenofobia enfrentadas por alguns emigrantes. O monumento inaugurado em Mourão pretende reconhecer esse percurso e funcionar como espaço de reflexão para quem regressa à terra natal.
Comunidades portuguesas presentes em 178 países
Emídio Sousa enquadrou a estratégia económica numa visão mais abrangente das comunidades portuguesas, denominada «Portugal Nação Global».
O conceito propõe que Portugal seja entendido para além das suas fronteiras geográficas, incluindo os portugueses e os descendentes residentes no estrangeiro.
«É um Portugal de pessoas, uma nação de pessoas», explicou o secretário de Estado, adiantando que existem comunidades portuguesas em 178 países.
A inauguração do Monumento de Homenagem ao Emigrante foi seguida pela Festa do Emigrante, promovida pelo Município de Mourão e destinada aos emigrantes, às suas famílias e à população.























