O legado de Couto Jardim e a necessidade de transmitir às novas gerações a história que está na origem do Feriado Municipal marcaram a homenagem realizada este domingo, 16 de agosto, em Vila Viçosa. A cerimónia decorreu junto ao busto do médico e contou com a participação do Município, da Santa Casa da Misericórdia e da Associação VIVV – Viver Vila Viçosa.
A iniciativa incluiu a deposição de flores junto ao monumento dedicado a João Augusto do Couto Jardim, no dia em que se assinalaram 147 anos sobre o seu nascimento.
Legado de Couto Jardim apresentado às novas gerações
O vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Tiago Salgueiro, afirmou que a homenagem pretende «não esquecer aquele que foi o legado do Dr. Couto Jardim para a vida da comunidade, sobretudo no combate à doença».
O autarca reconheceu que o Feriado Municipal «acaba por passar um pouco despercebido no período de férias, no período de verão». A cerimónia procura, por isso, «recordar, sobretudo às gerações mais novas, que o papel do Dr. Jardim foi de facto bastante importante».
Segundo Tiago Salgueiro, a intervenção do médico ultrapassou o exercício clínico, devido à disponibilidade que manteve para prestar assistência à população, independentemente da condição económica dos doentes.
Atuação de Couto Jardim durante a gripe espanhola
João Augusto do Couto Jardim nasceu em Vila Viçosa a 16 de agosto de 1879. Concluiu o curso de Medicina na Universidade de Coimbra, em julho de 1903, e regressou ao concelho, onde exerceu a profissão durante o resto da vida.
A atuação durante a epidemia de gripe pneumónica de 1918 foi um dos momentos destacados na cerimónia. Tiago Salgueiro recordou que Couto Jardim exercia então funções de subdelegado de saúde em Vila Viçosa.
«Ele era subdelegado de saúde aqui em Vila Viçosa e trocou correspondência com os institutos nacionais para reportar aquele que foi o primeiro caso registado aqui em Vila Viçosa», declarou.
Depois da identificação do caso, o médico deslocou-se às freguesias do concelho por meios próprios para prestar assistência à população. De acordo com o vice-presidente, Couto Jardim procurou «acudir aos doentes sem cobrar», num período marcado pela propagação da doença.
Tiago Salgueiro referiu ainda que o médico aplicou recursos próprios na atualização dos conhecimentos e na aquisição de equipamentos clínicos. Couto Jardim frequentou congressos e encontros científicos, tendo realizado formação em Radiologia na Universidade de Paris.
Ligação à Santa Casa da Misericórdia
A relação de Couto Jardim com a Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa constituiu outro dos aspetos recordados. O médico deixou à instituição a sua casa na Rua de Cambaia, destinada à instalação de um jardim de infância.
Júlia Mauricio, da Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa, considerou que a dimensão humana associada ao percurso do médico deve continuar a ser recordada.
«Estes valores jamais se poderão perder, seja a quem quer que seja», afirmou, acrescentando que Couto Jardim encontrou uma comunidade marcada pelo sofrimento e «tentou ajudar o ser humano enquanto humano».
Júlia Mauricio salientou que a instituição continuará a evocar o médico, tanto no aniversário do seu nascimento como a 14 de novembro, data da sua morte. «Jamais vamos esquecer o Dr. Jardim, a obra e as datas», declarou.
Simplicidade, ciência e comunicação
A Associação VIVV – Viver Vila Viçosa associou-se à homenagem depois de a participação ter sido aprovada em assembleia geral.
Manuel Talhinhas, da associação, apontou «a simplicidade, a ciência e a comunicação» como três elementos que caracterizam a memória de Couto Jardim.
Para o representante da VIVV, o percurso do médico mantém relevância para além do contexto histórico em que viveu. «É um cidadão do mundo, um cidadão atual e um cidadão de sempre», afirmou.
Nascimento de Couto Jardim determina o Feriado Municipal
João Augusto do Couto Jardim morreu a 14 de novembro de 1962, aos 83 anos. A assistência prestada à população, a intervenção durante a gripe espanhola e a ligação à Santa Casa da Misericórdia permaneceram associadas à sua memória no concelho.
O Município escolheu o dia do seu nascimento, 16 de agosto, para definir o Feriado Municipal de Vila Viçosa. O médico é também recordado através do busto onde decorreu a cerimónia e da presença do seu nome na toponímia do concelho.
Tiago Salgueiro sustentou que a homenagem representa o contributo do Município para alertar a população para «a memória e a necessidade de salvaguarda deste legado do Dr. Jardim».




























