CT da Petrogal desafia Montenegro a tomar “posição clara” sobre acordo Galp-Moeve

CCT da Petrogal exige ao Governo uma posição sobre o acordo Galp-Moeve e pede garantias para a refinaria de Sines e os trabalhadores.

A Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal desafiou hoje o primeiro-ministro a assumir uma “posição clara e pública” sobre o futuro da refinaria de Sines e o que acordo Galp-Moeve representa para a empresa.

“O senhor primeiro-ministro Luís Montenegro fez questão de dizer que este verão não iria de férias. A CCT devolve-lhe o repto. Se o tempo é para trabalhar, que se aproveite para assumir, de uma vez por todas, uma posição clara e pública sobre o futuro da refinaria de Sines e sobre o que este negócio representa para todos os trabalhadores da empresa”, lê-se num comunicado hoje divulgado.

Recordando o alerta recente da Associação para o Desenvolvimento Económico (Sedes) sobre o impacto do acordo para fusão dos negócios de refinação e comercialização da Galp e da espanhola Moeve, cuja conclusão está prevista para o segundo semestre deste ano, a CCT questiona “quantas vozes mais são precisas para que o Governo diga, sem vaguidades, o que vai fazer para garantir que a refinaria de Sines continua em Portugal, e que respostas tem para todos os trabalhadores da empresa”.

“A Sedes confirma o que é óbvio para quem trabalha em Sines há décadas. Portugal tem uma única refinaria, Espanha tem nove, e é essa assimetria que torna este ativo insubstituível para a autonomia energética nacional”, enfatiza, acrescentando: “Não é só a CCT que o diz. É agora também uma associação de referência no debate económico português”.

Num comunicado recentemente divulgado, a Sedes defendeu que o acordo Galp-Moeve, que afeta a refinaria de Sines, tem implicações sérias para o país e vincou que o Estado português tem poderes para salvaguardar ativos estratégicos.

“Este negócio tem implicações complexas e sérias do ponto de vista estratégico para Portugal. Como é sabido, as refinarias de petróleo são ativos com grande complexidade tecnológica e muito ‘know-how’ [conhecimento] incorporado […]. Enquanto Espanha possui nove refinarias, Sines é a única refinaria existente em território português”, apontou.

Segundo sublinhou a associação, a concretizar-se o negócio, Portugal ficará totalmente dependente de decisões tomadas fora do país e da União Europeia no que toca ao abastecimento de produtos refinados.

Congratulando-se “que uma instituição da sociedade civil chegue às mesmas conclusões” que a CCT vem sublinhando desde o início do ano, a Comissão de Trabalhadores da Petrogal alerta que “o que está em causa não é só a refinaria de Sines, é o futuro de toda a empresa e de todos os que nela trabalham”.

A CCT nota que “a Sedes confirma ainda os contornos concretos do negócio que aquela comissão tem denunciado, com a Sines a ficar integrada numa nova empresa sediada em Espanha, controlada até 80% por dois fundos de ‘private equity’, Mubadala e Carlyle, ficando a Galp reduzida a um peso residual num ativo que ajudou a construir e a operar ao longo de décadas”.

“Sublinha também o risco de desaparecimento de conhecimento técnico e de capacidade de investigação e inovação em Sines, exatamente o alerta que a CCT tem repetido sobre o futuro de todos os trabalhadores da empresa, não apenas os de Sines”, acrescenta.

Recordando que “o país já sabe o que acontece quando uma unidade deixa de ser prioridade para quem a gere”, a CCT aponta a refinaria de Matosinhos como “o exemplo mais próximo e mais doloroso”: “Onde antes se refinava petróleo e se davam postos de trabalho industrial, discute-se agora quantos hectares vão para habitação de luxo, quantos para escritórios e quantos para um pretenso ‘hub’ de inovação”, lamenta.

A CCT da Petrogal salienta que “não quer para nenhuma área da empresa esse caminho”, pelo que “insiste que o essencial não é gerir o encerramento, é impedir que ele alguma vez se torne uma hipótese sobre a mesa”.

Quanto ao Governo, considera que “a diferença de discurso” sobre o negócio Galp-Moeve “não é apenas gritante, é reveladora”.

“Em janeiro, a ministra do Ambiente e da Energia via este negócio como um ganho, com Portugal a passar a ter influência sobre três refinarias em vez de uma. Sete meses depois, com o acordo mais avançado e os contornos concretos já conhecidos, o Governo diz apenas que está a acompanhar de muito perto e a estudar instrumentos legais, sem nunca dizer quais, sem prazo, sem qualquer garantia para os trabalhadores”, critica.

Denunciando que “acompanhar não é uma política” e que “estudar não é uma decisão”, a CCT da Petrogal remata alertando que “o silêncio, quando o interesse nacional está em causa, não é neutralidade, é conivência”.

Mais notícias

GNR apreende mais de mil doses de cocaína em Sines e detém homem de 61 anos

O Comando Territorial de Setúbal da GNR, através do Núcleo de Investigação Criminal do...

Pestana prevê iniciar em setembro novo empreendimento com 236 apartamentos em Porto Covo

O Pestana Hotel Group prevê iniciar em setembro de 2026 as obras do Pestana...

Sines: Adesão à greve dos trabalhadores da REN Atlântico é de 100%

A adesão à greve dos trabalhadores da REN Atlântico, que asseguram a operação do...

Governo aprova zonas de aceleração de renováveis em 34 municípios do Alentejo

O Governo aprovou o Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias...

GNR detém homem com 185 doses de cocaína em Sines

Um homem de 52 anos foi detido pela GNR, na quinta-feira, 20 de agosto,...

Governo declara urgência para criar faixa de proteção contra incêndios em 12 hectares de Portalegre

O Governo declarou de utilidade pública, com caráter de urgência, a constituição de uma...

Odemira e Viana do Alentejo já têm Cartão do Munícipe na app gov.pt

Odemira e Viana do Alentejo estão entre os primeiros dez municípios do país a...

Governo reconhece interesse público da linha de montagem do A-29N em Beja

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira, 20 de agosto, uma deliberação que reconhece...

Governo aprova expropriações de terrenos da promotora do futuro parque logístico de Grândola

O Governo declarou a utilidade pública da expropriação de 10.946,93 metros quadrados no concelho...