O Alentejo foi a região do país com o maior número de casos de hepatite A associados a surtos durante 2025, segundo o Relatório 2026 do Programa Nacional para as Hepatites Virais, divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). O documento revela que a maioria das infeções esteve relacionada com transmissão pessoa a pessoa e integra um aumento nacional da doença, num contexto de surtos registados desde 2024.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) alerta, no Relatório 2026 do Programa Nacional para as Hepatites Virais, para um aumento expressivo dos casos de hepatite A em Portugal, fenómeno que teve especial impacto no Alentejo, uma das regiões mais afetadas pelos surtos registados entre 2024 e 2025.
Segundo o documento, em 2025 foram notificados 1.164 casos confirmados de hepatite A em Portugal, um aumento de 265% face ao ano anterior, quando tinham sido registados 319 casos. A DGS refere que esta evolução está associada a diferentes surtos ocorridos no país.
Alentejo liderou número de casos associados a surtos
Os dados da DGS mostram que o Alentejo registou 300 casos de hepatite A associados a surtos, o valor mais elevado entre todas as regiões do país. Seguiram-se o Norte, com 175 casos, o Algarve com 171, Lisboa e Vale do Tejo com 117, o Centro com 11 e a Madeira com cinco.
A maioria dos casos registados no Alentejo esteve relacionada com transmissão pessoa a pessoa por via fecal-oral, excluindo transmissão sexual e vertical, que representou 286 dos 300 casos identificados na região. Foram ainda registados 13 casos cuja forma de transmissão permaneceu desconhecida e um caso associado a outra forma de transmissão.
A DGS explica que um dos surtos identificados esteve associado à transmissão entre pessoas, influenciada por condições deficitárias de salubridade, afetando sobretudo crianças e apresentando uma ligeira predominância no sexo masculino, com maior incidência no Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo.
Medidas de saúde pública
De acordo com o relatório, foram implementadas diversas medidas para controlar os surtos, incluindo o rastreio e acompanhamento de contactos, vacinação de grupos de maior risco e de contactos próximos, bem como campanhas de sensibilização desenvolvidas em articulação com organizações da sociedade civil e serviços de saúde sexual.
A DGS refere ainda que a situação dos surtos aparenta encontrar-se em resolução, resultado das medidas adotadas pelas autoridades de saúde.
Portugal mantém elevada taxa de cura da hepatite C
Apesar do aumento da hepatite A, o relatório destaca resultados positivos noutras áreas. A taxa de cura da hepatite C mantém-se próxima dos 97%, contribuindo para a redução dos internamentos, da progressão para doença hepática avançada e da necessidade de transplante hepático.
O documento assinala também que Portugal continua a apresentar uma cobertura vacinal contra a hepatite B superior a 98%, considerada uma das mais elevadas a nível internacional.
A Direção-Geral da Saúde sublinha, contudo, que persistem desafios relacionados com o diagnóstico precoce, o reforço do rastreio e o acesso aos cuidados de saúde por parte de populações mais vulneráveis, como pessoas que utilizam drogas, população reclusa e migrantes.

















