O projeto do fórum romano de Beja entrou numa nova etapa de estudo e valorização e está a ser alvo de uma intervenção para que as estruturas arqueológicas possam ser novamente “compreendidas e explicadas”.
Em comunicado, a investigadora responsável pelo projeto “Arqueologia das Cidades de Beja”, Conceição Lopes, adianta que o fórum romano de Beja sofreu “uma intervenção que alterou profundamente as condições de leitura científica e patrimonial” e, neste momento, os trabalhos em curso servem para preparar as “condições indispensáveis para que as estruturas arqueológicas possam ser novamente compreendidas e explicadas”.
Segundo Conceição Lopes, a equipa do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património da Universidade de Coimbra (CEAACP/UC) está a “proceder ao registo das alterações verificadas”, assim como a recuperar a “informação ainda disponível”.
“Trata-se de uma nova etapa no estudo e valorização de um dos mais importantes conjuntos arqueológicos da cidade e de um lugar fundamental para o conhecimento de Pax Iulia, capital de uma das três divisões administrativas da província romana da Lusitânia”, justifica.
Desta forma, prossegue Conceição Lopes, a “complexidade dos vestígios” e as “condições atuais do local” permitem “apenas” realizar visitas “de forma programada e acompanhada pela equipa do projeto” para “assegurar uma interpretação cientificamente rigorosa do sítio e proporcionar aos visitantes uma leitura articulada das várias fases da história desta área central da cidade”.
“As visitas programadas incluem também a Casa da Moeda de Beja, articulando os vestígios do fórum romano com a história posterior deste espaço urbano”, adianta.
De acordo com a investigadora, a preparação do sítio arqueológico para visitas acompanhadas representa “um primeiro passo para tornar acessível um património arqueológico de excecional relevância” e o reforço da “sua integração na vida cultural, educativa e turística da cidade”, que “será plenamente concretizada aquando da abertura definitiva do sítio ao público e da instalação do museu romano de Beja nas instalações do Centro de Arqueologia e Artes”.
Contactado pela Lusa, o vereador da Câmara de Beja com o pelouro da Cultura, Vítor Picado, afirma que a abertura ao público de forma livre deverá acontecer em “setembro/outubro”, prevendo-se que “dentro de dois anos” a cidade tenha “um fórum romano visitável e um museu romano em funcionamento”.
Segundo Conceição Lopes, as escavações realizadas no local têm revelado “uma longa e complexa sequência histórica, com vestígios anteriores à cidade romana e importantes estruturas pertencentes às diferentes fases de monumentalização do fórum”.
“Entre os elementos identificados destacam-se os templos construídos nos períodos de Augusto e de Tibério, os grandes tanques que os envolviam, estruturas hidráulicas e outros testemunhos essenciais para compreender a organização e a transformação do centro monumental de Pax Iulia”, refere.

















