A Câmara Municipal de Viana do Alentejo está a preparar a requalificação dos jardins de Alcáçovas e de Viana do Alentejo, mas os dois processos encontram-se em fases distintas. Em Alcáçovas, a autarquia iniciou o processo com uma consulta pública à população. Já em Viana do Alentejo, o projecto para o Jardim do Rossio está aprovado e foi submetido ao Alentejo 2030.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Metrogos, explicou que, no caso de Alcáçovas, o município está “a começar o processo do zero”.
“Realizámos no passado fim de semana uma consulta pública à população, no sentido de a questionar sobre o que pretende para o Jardim Público de Alcáçovas e quais seriam as intervenções que lhe parecem necessárias”, afirmou o autarca.
Segundo Luís Metrogos, a Câmara encontra-se agora “na fase de contratar um serviço de arquitectura e paisagismo” para elaborar “um desenho ao jardim”, antes de avançar para “um novo projecto alargado também ao Centro Cultural e à área envolvente”.
“Estamos exactamente no ponto zero. Em termos de gestão de expectativas, ainda teremos de fazer a contratação do projecto, depois termos esse projecto contratado, contamos fazer novamente uma reunião com a população para apresentar uma primeira ideia e fecharmos essa ideia. Depois disso, teremos que arranjar financiamento comunitário, lançar a empreitada e concretizar a obra. Portanto, estamos no início de um processo”, sublinhou.
Alcáçovas ouviu a população antes do projecto
A consulta pública sobre o Jardim Público de Alcáçovas realizou-se no passado domingo, no último dia da Semana Cultural de Alcáçovas, explicando o autarca que a recolha de contributos decorreu em dois momentos.
“Fizemos uma recolha através de entrevistas e gravações durante a Semana Cultural à população e depois exibimos essas mesmas entrevistas e recolha de opiniões durante a sessão. Essa recolha de informações serviu como mote para despoletar a discussão pública no domingo”, explicou.
Entre as principais preocupações apresentadas pela população estiveram o estado do piso, a adequação de algumas árvores à envolvente habitacional e a necessidade de pensar o jardim de forma integrada com o Centro Cultural e a área envolvente.
“As questões mais importantes foram em relação ao piso do jardim, à questão de algumas árvores que não se encontram adequadas à situação das casas, que precisam de ser reabilitadas, e, de uma forma mais alargada, também a conjugação do jardim com a sua envolvente”, indicou.
O autarca acrescentou que os contributos recolhidos serão transmitidos ao arquitecto que vier a ser contratado para desenvolver o projecto.
“Com a recolha destes contributos, esperamos também passá-los depois a quem será o arquitecto responsável pela obra, para que coloque em prática as pretensões dos munícipes, assim que possível”, afirmou.
Câmara quer voltar a apresentar proposta à população
Luís Metrogos defendeu que a participação da população é essencial neste tipo de processos, mesmo tratando-se de uma intervenção num jardim público.
“Para nós isto é extremamente importante. Temo-lo feito sempre”, afirmou, dando como exemplo o processo de requalificação da Escola Básica de Aguiar, no qual a autarquia reuniu com encarregados de educação para explicar os trabalhos e a mudança temporária para uma escola provisória.
No caso de Alcáçovas, o presidente da Câmara considera que o jardim deve ser pensado com quem utiliza o espaço.
“Queremos que as pessoas estejam incluídas no processo, exactamente porque são elas que usufruem do espaço, são elas que vão usufruir do jardim”, disse.
“O Jardim Público de Alcáçovas é um espaço central da freguesia. É um espaço que precisa de ser vivido, quer pelos mais velhos, quer pelos mais novos. As pessoas têm que ser incluídas no processo e temos que as ouvir de acordo com as suas pretensões”, acrescentou.
Ainda assim, Luís Metrogos ressalvou que caberá à autarquia fazer a síntese dos contributos recebidos.
“É óbvio que depois terá que haver um trabalho nosso, da nossa parte, de filtrar e conjugar as opiniões de todos, mas isso já nos caberá a nós. Mas, sem ouvirmos, nunca saberíamos o que seria indicado para a realização daquele jardim”, afirmou.
Questionado sobre prazos, o autarca não avançou uma data para o início da obra, referindo que o município terá primeiro de lançar o procedimento para contratar o projecto.
“Agora, com esta recolha, vamos voltar à primeira fase e iniciar um procedimento concursal para a contratação de um arquitecto. Ainda não sabemos valores sequer e, de acordo com esses valores, temos que ver se iremos para um ajuste directo, para uma consulta prévia ou para outra forma de contratação”, explicou.
Jardim do Rossio já tem candidatura submetida
Em Viana do Alentejo, o processo encontra-se numa fase mais avançada. Luís Metrogos explicou que existia um projecto em carteira no município, proveniente de um executivo anterior, que foi recuperado e actualizado.
“Existia um projecto em carteira no município. Nós fomos repescar esse projecto, fizemos-lhe uma actualização aos dias de hoje, aprovámos o projecto e submetemos uma candidatura ao Alentejo 2030, que ascende a mais de 600 mil euros e que esperamos ver aprovada no futuro”, afirmou.
Segundo o presidente da Câmara, a intenção da autarquia é iniciar a empreitada assim que a candidatura seja aprovada.
“Assim que tivermos esta candidatura aprovada, queremos iniciar de imediato a empreitada. Antes disso, contamos também fazer uma apresentação pública desse mesmo projecto, que já está fechado em Viana do Alentejo”, referiu.
Luís Metrogos fez ainda questão de distinguir o estado dos dois processos.
“O projecto já está aprovado e a candidatura já está submetida. Por comparação com o Jardim de Alcáçovas, estamos muito mais à frente do processo. Enquanto no Jardim de Alcáçovas estamos a iniciar, neste já estamos numa fase de projecto concretizado e estamos apenas agora a aguardar o resultado da candidatura que submetemos ao Alentejo 2030”, afirmou.
A intervenção prevista no Jardim do Rossio deverá passar pela remoção de barreiras, reorganização do espaço, plantação de novas árvores, melhoria do piso, requalificação da Fonte das Freiras e do coreto, reposicionamento do parque infantil e criação de um quiosque.
“A intervenção que estamos a planear vai permitir, principalmente, remover algumas barreiras que existem. Estamos a falar principalmente de muros. Estamos a falar também da reorganização do jardim em termos arbóreos, com a plantação de novas árvores, e da estruturação do jardim em termos do piso, para permitir uma melhor circulação e usufruto das pessoas”, explicou.
“Para além disso, queremos destacar a Fonte das Freiras e o coreto, com uma requalificação de ambos. E, paralelamente, parece-nos importante reajustar a posição do parque infantil, com a agregação de um quiosque, que vai permitir que tanto os mais velhos como os mais novos consigam usufruir do espaço”, acrescentou.
Espaços verdes para diferentes gerações
Para Luís Metrogos, a requalificação do Jardim do Rossio deve ir além da dimensão estética ou cultural do espaço.
“Para além da actividade cultural, deve ser um espaço de jardim. Apesar de vivermos no Alentejo, as nossas vilas acabam por ter pouco espaço verde, pouca árvore, e acho que é cada vez mais importante termos esse espaço de acordo com a exigência dos nossos munícipes”, afirmou.
O presidente da Câmara defende que o objectivo passa por transformar o jardim num espaço de lazer e convívio.
“Basicamente, é tentar dar vida a um local que não a tem neste momento e que, através da sua requalificação, as pessoas possam ter mais um espaço de usufruto, de lazer, ao ar livre, para que os pais possam estar com os filhos, para que os avós possam estar com os netos. É isso que vamos tentar e é essa a nossa pretensão”, disse.
Sobre a criação de zonas de sombra, Luís Metrogos confirmou que está prevista a plantação de novas árvores, mas alertou que os resultados não serão imediatos.
“Prevemos a plantação de novas árvores com a reestruturação daquele espaço. Já agora, uma questão também de expectativas que me parece importante: as árvores demoram tempo a crescer e, portanto, logo à partida, poderá não ser um resultado imediato. Mas isto é como quando semeamos para colher mais tarde. É esse também o objectivo”, concluiu.


















