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Turismo de Portugal lança em Monsaraz rede nacional de refúgios climáticos. Há 1M€ para criação e qualificação de espaços

Programa Refúgios Climáticos | Stay Cool prevê espaços de abrigo, formação e apoio financeiro aos municípios

O Turismo de Portugal apresentou esta sexta-feira, em Monsaraz, o Programa Refúgios Climáticos | Stay Cool, que pretende criar uma rede nacional de espaços acessíveis, seguros e termicamente confortáveis para utilização em períodos de calor extremo.

A iniciativa, integrada na Agenda para a Ação Climática no Turismo 2030, tem como objetivo proteger residentes e visitantes, reforçar a resiliência dos destinos turísticos e adaptar a oferta nacional aos impactos das alterações climáticas.

Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, explicou que o lançamento do programa marca a passagem «do diagnóstico para medidas concretas» no âmbito da ação climática no turismo, numa altura em que os fenómenos de calor têm impacto direto na atividade turística.

Programa quer criar espaços de abrigo em todo o país

A rede de refúgios climáticos será composta por espaços interiores ou exteriores que possam assegurar proteção e conforto térmico durante períodos de maior calor, funcionando como locais de abrigo temporário para reduzir a exposição a temperaturas elevadas.

Segundo Carlos Abade, o objetivo é criar «uma rede nacional de espaços acessíveis, seguros e confortáveis do ponto de vista térmico», destinada a residentes e turistas. O responsável sublinhou que o programa pretende proteger «quem visita Portugal», mas também quem vive nos territórios, oferecendo espaços de conforto térmico em períodos de maior exposição ao calor.

O presidente do Turismo de Portugal referiu ainda que esta resposta pretende reforçar a resiliência dos destinos turísticos, valorizar a oferta e contribuir para a competitividade do setor. «A criação desta rede de refúgios climáticos não é só uma resposta ao tema da adaptação e das alterações climáticas. É também uma forma de valorizar a marca Portugal», afirmou ao Jornal ODigital.pt.

Centros comerciais, museus, bibliotecas e jardins podem integrar a rede

Os refúgios climáticos poderão funcionar em infraestruturas já existentes, incluindo centros comerciais, equipamentos culturais, museus, monumentos, bibliotecas, espaços públicos, parques e jardins, desde que assegurem as condições necessárias.

Carlos Abade indicou que estes espaços terão de cumprir requisitos mínimos, entre os quais acesso gratuito, horário compatível com os períodos de calor, zonas de descanso, lugares sentados, água potável gratuita e condições de climatização ou ventilação.

No caso dos espaços interiores, o programa prevê conforto térmico entre os 20 e os 27 graus. Nos espaços exteriores, deverão existir sombras significativas e mecanismos de arrefecimento, como vegetação densa, água ou outros equipamentos adequados.

O presidente do Turismo de Portugal precisou que não se trata apenas de identificar locais de passagem. «Não pode ser só uma sombra. Tem que ser também algo que permita descanso», referiu, acrescentando que os espaços deverão estar devidamente identificados para serem reconhecidos como parte da rede.

Plataforma vai indicar refúgio climático mais próximo

Os espaços integrados na rede serão identificados com um selo próprio e passarão a constar numa plataforma digital, que permitirá aos utilizadores saber qual o refúgio climático mais próximo da sua localização.

Carlos Abade explicou ao Jornal ODigital.pt que a plataforma está em desenvolvimento, mas o Turismo de Portugal decidiu avançar já com o lançamento do programa para integrar o maior número possível de espaços antes dos períodos de maior calor.

«Não quisemos atrasar o lançamento da Rede Refúgios Climáticos porque consideramos importante lançá-la agora, desde já», afirmou. Segundo o responsável, a plataforma deverá estar disponível «no próximo mês, mês e meio», numa versão mais interativa, com o mapa dos refúgios climáticos aderentes.

Até lá, através do selo do programa, será possível aceder à lista dos espaços que forem aderindo à rede.

Municípios vão ter apoio de 1 milhão de euros

O programa inclui uma linha de financiamento de 1 milhão de euros, ao abrigo do Programa Crescer com o Turismo, destinada a apoiar os municípios na criação e qualificação de refúgios climáticos.

A verba será dirigida a investimentos em espaços e infraestruturas que permitam melhorar as condições de conforto térmico, incluindo soluções como sombreamento, fontes de água ou mecanismos de arrefecimento.

Carlos Abade explicou que, sobretudo no espaço público municipal, poderá ser necessário criar «pequenos equipamentos» e «pequenas infraestruturas» para desenvolver espaços seguros e confortáveis do ponto de vista térmico.

O objetivo, acrescentou, passa por apoiar as autarquias na criação e qualificação de refúgios, promover a adaptação de infraestruturas já existentes e viabilizar intervenções de melhoria do conforto térmico.

Formação para operadores turísticos e autarquias arranca em julho

O Turismo de Portugal vai assegurar a coordenação e implementação territorial do programa, em articulação com as entidades regionais de turismo.

A iniciativa prevê ainda ações de capacitação para agentes do setor turístico, municípios e empresas, com enfoque na adaptação climática, gestão de riscos e boas práticas de implementação.

O primeiro webinar dirigido a operadores turísticos está marcado para 9 de julho. A sessão destinada aos municípios e autarquias decorrerá a 16 de julho.

Carlos Abade referiu que a qualificação das pessoas e das empresas será determinante para o sucesso do programa. O Turismo de Portugal vai também promover orientações para turistas, alojamento, municípios e empresas de animação turística, área em que a exposição ao calor pode assumir maior relevância.

Calor extremo já tem impacto na atividade turística

Nas declarações ao Jornal ODigital.pt, Carlos Abade enquadrou a criação da rede no aumento da frequência e duração dos episódios de calor. O responsável indicou que, entre 2001 e 2023, foram identificados 25 episódios de ondas de calor, com duração média de 7,3 dias.

Para o presidente do Turismo de Portugal, este não é um problema apenas futuro. «Está de facto a acontecer», afirmou, defendendo que a adaptação dos territórios a estes fenómenos «tem de ser uma realidade».

Carlos Abade salientou que os períodos de calor reduzem o conforto, condicionam a mobilidade das pessoas no território e podem comprometer a saúde de quem visita e de quem reside nos destinos turísticos.

Nesse contexto, a rede de refúgios climáticos é apresentada como uma medida de adaptação, mas também como instrumento de gestão de risco. «Quanto mais anteciparmos e quanto melhor anteciparmos, mais protegidos estamos», afirmou ao Jornal ODigital.pt.

Primeiro protocolo foi assinado com centros comerciais

A sessão de apresentação, realizada em Monsaraz, incluiu a assinatura do primeiro protocolo no âmbito do programa, celebrado com a Associação Portuguesa de Centros Comerciais.

A cerimónia foi presidida pelo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado. Estiveram também presentes a presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, Marta Prates, o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, e a diretora executiva da Associação Portuguesa de Centros Comerciais, Carla Pinto.

Segundo o Turismo de Portugal, o programa Refúgios Climáticos | Stay Cool constitui uma das medidas concretas da Agenda para a Ação Climática no Turismo, integrada na Estratégia Turismo 2035, que deverá ser apresentada em breve.

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