CRI Alentejo Central assinala 30 anos com apelo à resposta coletiva nas dependências (c/fotos)

CRIAC celebrou 30 anos em Évora com foco nos novos desafios das dependências e na resposta coletiva.

O Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central (CRIAC) assinalou, esta quinta-feira, 16 de abril de 2026, três décadas de intervenção na área dos comportamentos aditivos, com um encontro científico realizado em Évora, que reuniu especialistas e entidades da saúde, educação e setor social.

À margem da iniciativa, o coordenador do CRI do Alentejo Central, Paulo Jesus, destacou ao Jornal ODigital.pt a importância do momento enquanto espaço de reflexão e mobilização coletiva. «São momentos de celebração, mas também de paragem e reflexão sobre a nossa ação», afirmou, sublinhando que o fenómeno das dependências tem vindo a evoluir ao longo das últimas décadas.

Mudança no perfil das dependências marca evolução do trabalho

Segundo o responsável, o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos 30 anos acompanhou uma transformação significativa no perfil das dependências. «Passámos de uma centralidade na substância para a centralidade no comportamento com potencial aditivo», explicou, apontando para novos desafios associados a áreas como o jogo, os videojogos ou a saúde mental.

Paulo Jesus referiu ainda que a integração destas problemáticas no Serviço Nacional de Saúde constituiu um marco relevante, ao permitir encarar o dependente «como um doente», o que facilitou a resposta institucional.

Ao mesmo tempo, alertou para a ligação entre comportamentos aditivos e outros fenómenos sociais, como a sinistralidade rodoviária ou a violência doméstica, defendendo que se trata de uma questão transversal à sociedade.

Resposta exige envolvimento da comunidade

O coordenador do CRIAC sublinhou que os desafios atuais exigem uma abordagem coletiva, envolvendo diferentes setores. «Temos que chamar a comunidade a juntar-se a nós para pensarmos o que fizemos e o que temos que fazer nos próximos tempos», afirmou.

Nesse sentido, considerou que encontros como o realizado em Évora são «absolutamente essenciais», por reunirem entidades da saúde, educação, academia e setor social, contribuindo para uma resposta integrada no território.

Empoderar, cuidar e proteger orientam estratégia futura

Relativamente ao futuro, Paulo Jesus apontou três eixos estratégicos que deverão orientar a intervenção do CRIAC: «empoderar», «cuidar» e «proteger».

«Empoderar remete-nos para capacitar e dar competências às pessoas. Cuidar prende-se com a necessidade de apoiar os mais vulneráveis. E proteger significa reduzir os danos quando não conseguimos intervir de outra forma», explicou.

O responsável destacou ainda a importância da resiliência no contexto regional, considerando que os recursos disponíveis são limitados face à dimensão do problema, mas que o foco deve estar na capacidade de resposta. «Os recursos serão sempre escassos face à dimensão do problema. O desafio é o que fazemos com os recursos que temos», afirmou.

Protocolo reforça respostas no território

Durante o encontro foi formalizado um protocolo de cooperação entre o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) e a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), que prevê a cedência de uma Unidade Móvel ao CRIAC.

Segundo Paulo Jesus, esta medida permitirá «alargar e diferenciar as respostas de proximidade junto da comunidade», reforçando a intervenção no território.

Sessão reuniu especialistas e responsáveis nacionais

O encontro científico decorreu no Auditório da CCDR Alentejo, sob o tema «Maturidade, crise ou reinvenção?», com intervenções de especialistas nacionais e internacionais.

As comemorações prosseguiram durante a tarde, no Palácio do Vimioso, com a presença de João Goulão e Manuel Cardoso, responsáveis pelas políticas públicas na área dos comportamentos aditivos em Portugal.

A iniciativa contou com o apoio institucional da CCDR Alentejo, da Câmara Municipal de Évora, da ULSAC e do ICAD.

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