“Tascas, Castas e Cantigas” esgota novamente e cresce em Redondo: “É uma experiência”

Evento volta a encher na segunda data de 2026 e reforça impacto no turismo e na economia local, com aposta na autenticidade.

A iniciativa “Tascas, Castas e Cantigas” voltou a esgotar na segunda data da edição de 2026, realizada este sábado, em Redondo, confirmando o crescimento sustentado de um evento que se posiciona como experiência diferenciadora no Alentejo.

Com 177 participantes na primeira sessão e nova lotação esgotada nesta segunda data, o modelo mantém-se assumidamente limitado. “Este evento nunca será um evento de massas. É um evento de experiência”, sublinha o presidente da Câmara de Redondo, David Galego, apontando à valorização da identidade local.

Experiência intimista aposta na autenticidade

O conceito assenta na recriação do ambiente das antigas tascas e adegas, cruzando vinho, gastronomia e cante alentejano, num percurso pelo centro histórico da vila. A aposta, segundo o autarca, passa por proporcionar “uma experiência muito gratificante” a quem visita o concelho, com base na autenticidade das tradições locais.

O perfil do público confirma essa lógica. Vindos de vários pontos do país (de Almada a Faro ou Castelo Branco) os participantes chegam sobretudo por recomendação, reforçando o carácter orgânico do crescimento do evento.

“Quem passa por esta experiência extraordinária recomenda a outros, e é isso que queremos oferecer”, refere David Galego, afastando uma estratégia de massificação.

Vinho como motor económico do concelho

Para além da componente cultural e turística, o evento assume-se também como montra do setor vitivinícola local. O concelho de Redondo conta com 14 produtores, cerca de 2.800 hectares de vinha e uma produção anual que ronda os 13 a 14 milhões de litros de vinho, envolvendo centenas de trabalhadores diretos e indiretos.

“É uma experiência que reconhece o valor do sector primário para a economia local”, destaca o presidente, sublinhando a ligação entre produção, gastronomia e cultura como fator diferenciador.

Produtores sentem impacto direto na promoção

Do lado dos produtores, o impacto é claro. Jorge Falé, da marca Calhameiro, considera que iniciativas como esta têm contribuído para aumentar a visibilidade dos vinhos locais e dinamizar a economia.

“Está a trazer muitas pessoas ao concelho e é benéfico não só para os vinhos, mas para toda a economia local, da restauração à hotelaria”, afirma.

Com uma produção anual entre 12 mil e 15 mil garrafas, a marca aposta na distribuição própria e fora das grandes superfícies, conseguindo escoar praticamente toda a produção. “Sente-se na marca, sem dúvida”, acrescenta o produtor sobre o efeito da participação no evento.

Crescimento controlado e foco na qualidade

Apesar da forte procura que, segundo o autarca, permitiria abrir novas datas, a estratégia passa por preservar o conceito original. A possibilidade de uma terceira sessão, eventualmente no São Martinho, não está excluída, mas dependerá da manutenção da qualidade da experiência.

“Podíamos abrir mais uma edição e esgotava seguramente, mas também é bom sabermos esperar”, afirma David Galego, defendendo um crescimento sustentado.

Redondo afirma-se como destino

Integrado numa estratégia mais ampla de promoção do território, o evento contribui para consolidar Redondo como destino turístico no Alentejo, articulando-se com outras ofertas, como percursos na Serra d’Ossa, património e enoturismo.

“Redondo é hoje uma marca incontornável no Alentejo”, sustenta o presidente, apontando à valorização da autenticidade como principal fator de atratividade.

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