Associação de agricultoras denuncia aumento de custos e pede intervenção do Governo

MARP alerta para agravamento da crise alimentar em Portugal e exige medidas urgentes de apoio à agricultura e regulação de preços.

A Associação das Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas (MARP) alertou esta terça-feira para o agravamento da crise alimentar em Portugal, defendendo a adoção de medidas urgentes de apoio ao setor agrícola e maior rapidez na sua implementação.

Em comunicado, a organização manifesta preocupação com o aumento dos custos de produção, nomeadamente energia, combustíveis, fertilizantes e rações, referindo que estes atingiram níveis que dificultam a atividade agrícola. Ao mesmo tempo, indica que os preços pagos aos produtores permanecem abaixo dos custos reais, enquanto os preços ao consumidor final continuam a subir.

Custos de produção e desequilíbrios na cadeia alimentar

Segundo a MARP, a atual situação reflete um desequilíbrio na cadeia alimentar, apontando para a concentração de poder económico na distribuição e para a existência de práticas especulativas. A associação sustenta que os produtores recebem menos enquanto os consumidores pagam mais, sem que esse diferencial beneficie o setor produtivo.

O comunicado refere ainda que muitos pequenos e médios agricultores enfrentam dificuldades financeiras para manter a atividade, o que poderá levar ao abandono da produção agrícola.

Risco de abandono e impactos no território

A associação alerta que o abandono da atividade agrícola poderá ter consequências no território, incluindo a concentração da terra, o desaparecimento de produtores e impactos ambientais como a degradação dos solos, perda de biodiversidade e aumento do risco de incêndios.

A MARP considera também que os apoios existentes são insuficientes face aos efeitos das intempéries recentes e às consequências da guerra nos mercados internacionais, defendendo que as medidas anunciadas não respondem à dimensão da crise.

Exigência de medidas imediatas

Perante este cenário, a organização exige ao Governo a implementação de medidas que garantam preços justos à produção, reforço dos apoios diretos aos agricultores e maior transparência na formação de preços ao longo da cadeia alimentar.

Entre as propostas apresentadas estão ainda ações para travar o abandono da terra, evitar a sua concentração e políticas que valorizem a produção nacional, com destaque para o papel da agricultura familiar e das mulheres no setor.

No documento, a MARP afirma que «sem Agricultura Familiar, sem agricultores, não há alimento, não há território, não há futuro», apelando a uma resposta imediata às dificuldades identificadas.

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