Beja e Portalegre estão entre as cinco capitais de distrito do país sem exibição comercial regular de cinema, após o encerramento de várias salas nos últimos meses. A situação foi identificada com base nos dados mais recentes do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), num contexto de reconfiguração do setor.
Segundo o ICA, a exibição de cinema em janeiro contava com 450 salas em funcionamento, menos 112 face a 2025. Com os encerramentos registados, além de Beja e Portalegre, também Bragança, Guarda e Viana do Castelo deixaram de ter oferta comercial regular.
A nível nacional, em 2025, as salas de cinema registaram cerca de 10,8 milhões de espectadores, o valor mais baixo desde 2004, excluindo o período da pandemia entre 2020 e 2022.
Ministério quer mapear espaços existentes
Perante este cenário, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a realização de um levantamento de espaços que possam ser adaptados à exibição cinematográfica, com o objetivo de reforçar a rede de salas, sobretudo nos concelhos onde a oferta é mais reduzida.
«Queremos valorizar os equipamentos existentes e que não fique na dinâmica dos grandes centros urbanos», afirmou a governante, numa sessão pública de auscultação sobre a exibição cinematográfica em Portugal, realizada em Lisboa.
A medida poderá ter impacto em territórios como Beja e Portalegre, onde atualmente não existe exibição comercial regular, apesar da existência de auditórios e equipamentos culturais municipais.
Programa de capacitação para programadores
Na mesma sessão, o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, indicou que 73 dos 103 auditórios da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) dispõem de equipamento atualizado para exibição de cinema, adquirido no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, e que 81 já têm programação cinematográfica.
A ministra anunciou ainda um programa de capacitação de programadores de cinema, com início previsto para o terceiro trimestre deste ano, direcionado em particular às equipas técnicas municipais.
A formação será assegurada pelo Instituto do Cinema e Audiovisual, pela Cinemateca Portuguesa, pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais e pela Direção-Geral das Artes. A primeira fase de candidaturas deverá abrir até ao final do segundo trimestre.
Encerramento de salas e reconfiguração do mercado
O setor enfrenta uma fase de reestruturação. Em 2026, o panorama da exibição comercial em ‘multiplex’ sofreu alterações com o encerramento das salas Cineplace, na sequência de um processo de insolvência, e de algumas salas da NOS Lusomundo Cinemas.
Foi ainda autorizada a desafetação da atividade cinematográfica em nove das 20 salas do complexo do Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, explorado pela UCI.
Em novembro passado, na sequência de encerramentos e pedidos de desafetação, a ministra anunciou na Assembleia da República a criação de um grupo de trabalho, composto pelo ICA e pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais. O relatório final deverá ser apresentado em março.
Impacto no interior
A ausência de exibição comercial regular em Beja e Portalegre coloca estas capitais de distrito entre as mais afetadas pela redução da oferta cinematográfica no país, num contexto em que o Governo admite reforçar a rede de equipamentos e a capacitação técnica para programação cultural.



















