Presidente da Federação de Portalegre afirma que bombeiros continuam a financiar o Estado

O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre, Manuel Marçal, alertou este domingo, em Monforte, para a ausência de respostas do Estado às reivindicações das associações e corporações de bombeiros. O responsável afirmou que há mais de uma década que as principais medidas continuam sem execução.

Reivindicações mantêm-se há mais de dez anos

Manuel Marçal recordou que todas as associações e comandos do distrito apresentaram, há três anos, um documento de reivindicações à tutela. As propostas continuam sem resposta. «Os pontos para os quais reivindicávamos melhorias são exatamente os mesmos que estão em discussão ao dia de hoje», afirmou, sublinhando que nada mudou.

O dirigente destacou que esta situação se arrasta há mais tempo. «Passaram-se três anos e estamos na mesma. E antes disso já tinham passado 10 e 15 anos», referiu, classificando o problema como estrutural.

Financiamento insuficiente e custos suportados pelas associações

O presidente da Federação apontou ainda o financiamento das corporações como uma das questões mais críticas. Explicou que cada saída de ambulância em serviço de emergência representa um prejuízo para as associações. «Hoje as associações são financiadoras do SNS. Cada vez que sai uma ambulância, estamos a perder dinheiro», afirmou.

Referiu também que o pagamento associado ao transporte de doentes não cobre os custos. «Nós financiamos o Estado Central através do SNS», sintetizou.

Carreiras e remunerações continuam por resolver

Outro ponto destacado por Manuel Marçal foi a falta de atualização das carreiras e dos vencimentos dos bombeiros voluntários e das equipas de intervenção permanente. «Estão encostados ao rendimento mínimo mensal garantido e daí não se conseguem sair», afirmou.

O responsável sublinhou que elementos de outras estruturas profissionais, com funções equivalentes, tiveram progressos nos últimos anos, mas as corporações voluntárias continuam sem alterações. «Vimos carreiras terem melhorias nos bombeiros profissionais. Nas associações humanitárias é mais do mesmo», disse.

Expectativas moderadas face às promessas do Governo

O dirigente referiu que todos os partidos identificaram, nos respetivos programas eleitorais, a necessidade de resolver estas matérias. Porém, as expectativas geradas nas últimas legislaturas não se concretizaram. «Criaram-se grupos de trabalho que nunca chegaram a começar», afirmou.

Apesar disso, o presidente da Federação assinalou uma medida já garantida para 2025: a isenção de IRS no reembolso dos custos do voluntariado até ao limite previsto. «Pelo menos essa é garantida. Esses valores não irão ser tributados», explicou.

Marçal deixou ainda uma nota de prudência. «Vamos esperar uns quatro, cinco, seis meses para perceber se alguma coisa de concreto surgirá», afirmou.

Bombeiros esperam respostas para garantir sustentabilidade futura

O presidente da Federação encerrou as suas declarações defendendo que as condições de trabalho, o financiamento e a valorização das carreiras são essenciais para assegurar a sustentabilidade das corporações. «Convém falarmos daquilo que contribui para que nos sintamos bem com os nossos e com as nossas famílias», referiu, sublinhando que a ação dos bombeiros depende da estabilidade das associações.

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