A Presidente da Associação Académica da Universidade de Évora (AAUE), Ana Beatriz Calado, aproveitou o Dia da Universidade, celebrado este sábado, 1 de novembro, para lançar um apelo ao Governo e à sociedade civil, defendendo um ensino superior «mais justo, acessível e democrático».
Durante a sessão solene que assinalou os 466 anos da instituição e o início do ano letivo 2025, a dirigente estudantil alertou para as dificuldades sentidas pelos jovens e criticou o aumento das propinas. «O recente descongelamento das propinas de licenciatura representa um aumento que, embora pareça pequeno, tem um impacto considerável na vida dos estudantes e das suas famílias», afirmou.
A responsável sublinhou que o aumento do custo de vida, sobretudo no alojamento, agrava a situação. «Em Évora, um quarto arrendado pode custar entre 300 e 500 euros, muitas vezes sem recibo nem despesas incluídas. É incompreensível que ainda se feche os olhos a estas rendas informais», denunciou.
Ana Beatriz Calado manifestou também preocupação com a liberalização do valor das propinas de mestrado. «A inexistência de um teto máximo poderá transformar o acesso a um grau superior num privilégio reservado a quem tem maiores recursos», afirmou, citando o educador Paulo Freire: «Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor».
Críticas e desafios no ensino superior
A Presidente da AAUE lembrou que a falta de investimento e planeamento tem deixado marcas profundas no sistema. «Durante anos alertámos para a urgência de resolver o problema do alojamento estudantil e da falta de infraestruturas. Hoje enfrentamos uma crise sem precedentes», frisou.
Apesar das críticas, Ana Beatriz Calado procurou transmitir uma mensagem de confiança. «Hoje é também um dia feliz, em que reconhecemos as nossas fragilidades, mas celebramos a força da comunidade estudantil, que luta por um ensino mais justo e verdadeiro», afirmou, destacando o papel dos estudantes como «luz num tempo de incerteza».
Estudantes como motor de transformação
Na sua intervenção, a dirigente sublinhou o papel transformador da academia eborense. «A Universidade de Évora é mais que um espaço de ensino, é um espaço de transformação. Aqui formamos cidadãos conscientes e solidários», disse. Para Ana Beatriz Calado, ser estudante é «participar, questionar e contribuir», e não apenas «frequentar aulas e realizar exames».
A jovem dirigente apelou também ao Governo e às autarquias para que invistam na fixação de jovens no interior do país. «As universidades do interior, como a de Évora, são guardiãs da coesão territorial e agentes de desenvolvimento sustentável. Cada curso ou residência construída é um ato de resistência contra o centralismo», afirmou.
Ana Beatriz Calado dirigiu ainda um apelo direto ao Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, docente e antigo dirigente académico: «Peço-lhe que olhe para a Universidade, para a nossa Associação Académica e, acima de tudo, para os estudantes. Muitos sonham em viver e trabalhar em Évora. Ajude-nos a concretizar esses sonhos».
A Presidente da Associação Académica encerrou a sua intervenção com uma mensagem de coragem e de esperança. «Portugal precisa dos seus jovens não apenas como força de trabalho, mas como força de pensamento», afirmou. E concluiu: «Ser estudante da Universidade de Évora é fazer parte de uma história viva. Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo. Viva os estudantes! Viva a Universidade de Évora!».

















