A Universidade de Évora celebrou este sábado, 1 de novembro, o Dia da Universidade, numa cerimónia que marcou também o início do ano letivo 2025. A sessão decorreu no Colégio do Espírito Santo e reuniu a comunidade académica numa homenagem à história, ao conhecimento e ao papel da instituição no desenvolvimento regional e nacional.
Durante a sessão solene, foram impostas as insígnias doutorais aos novos doutorados e homenageados os funcionários com mais anos de serviço. A cerimónia contou com a Lição Inaugural proferida pela Professora Doutora Teresa Pinto Correia, encerrando com o tradicional Cortejo Académico e atuações de grupos académicos no Claustro do Colégio do Espírito Santo.
Nas comemorações integraram-se também a inauguração do Centro de Inovação Pedagógica, a exposição «É uma vez: Artes e Visualidade na Universidade de Évora», na Fundação Eugénio de Almeida, e um concerto pela Orquestra de Sopros da Escola de Artes, no Auditório Christopher Bochmann do Colégio Mateus d’Aranda.
«Temos de ter a ambição de afirmar a Universidade»
Nas declarações aos jornalistas, a Reitora da Universidade de Évora, Hermínia Vilar, sublinhou o simbolismo da data, recordando que a instituição foi fundada em 1559 como Universidade Jesuíta e refundada há 50 anos. «Olhar para as origens não é apenas um exercício de memória, é também uma base para perspetivar o futuro», afirmou.
No discurso central da sessão, Hermínia Vilar destacou os conceitos que orientam a estratégia da instituição: liderança, inovação, sustentabilidade e compromisso. A estes, acrescentou agora dois novos valores: ambição e perseverança. «Temos de ter a ambição de afirmar a Universidade nas suas múltiplas vertentes – da formação, da investigação, da inovação e da ligação à comunidade. Só é periférico quem se vê como periférico e quem desiste de ser ambicioso e audaz», declarou.
A Reitora defendeu que o futuro da academia depende do envolvimento de toda a comunidade. «A Universidade é aquilo que fazemos dela, é aquilo que queremos que ela seja. O futuro está nas nossas mãos», afirmou, dirigindo um agradecimento a todos os docentes, investigadores e funcionários pelo empenho diário.
Ensino superior e desafios de acesso
Hermínia Vilar destacou os resultados obtidos no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, com mais de 90% das vagas preenchidas, num contexto de quebra nacional de 20% nos candidatos. «A Universidade de Évora manteve a capacidade de atrair estudantes, o que reflete a qualidade do ensino ministrado», disse, referindo que a instituição continua a expandir a oferta formativa com novas licenciaturas e mestrados, incluindo Engenharia Aeroespacial, Ciências Biomédicas e da Saúde, e Turismo.
Sobre o projeto do Mestrado Integrado em Medicina, ainda não acreditado, a Reitora garantiu que a Universidade continuará a insistir junto das autoridades competentes. «Estamos convencidos da enorme importância que este curso tem para a Universidade, para a região e para a consolidação do novo Hospital Central do Alentejo», referiu.
Inovação, ensino e inteligência artificial
O ensino e a inovação pedagógica foram também centrais no discurso da Reitora, que anunciou a criação de 84 novas microcredenciais no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a inauguração do novo Centro de Inovação Pedagógica. «Queremos apoiar práticas de ensino inovadoras, alinhadas com metodologias ativas e centradas no estudante», afirmou.
A Universidade de Évora está igualmente a investir na formação de docentes e no uso da inteligência artificial no ensino. «Há que aceitá-la e tirar dela o melhor partido. Criámos um grupo de trabalho especializado que apresentará referenciais para o uso pedagógico da inteligência artificial na Universidade», revelou.
Investigação, financiamento e reforma da ciência
A Reitora destacou o reconhecimento alcançado pelas unidades de investigação da Universidade de Évora, das quais 18 foram classificadas como «excelente» ou «muito bom». Contudo, alertou para o «frágil financiamento» que ameaça a continuidade de algumas equipas e projetos. «O esforço de gestão tem permitido assegurar a execução dos projetos, mas esta situação coloca sérios problemas de tesouraria às instituições de ensino superior», afirmou.
Hermínia Vilar expressou ainda preocupação com a anunciada reforma do sistema científico e tecnológico nacional, que prevê a fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e da Agência Nacional de Inovação (ANI). «O racional subjacente coloca interrogações sérias, em especial sobre o papel da ciência fundamental e das ciências sociais e humanas», advertiu.
Compromisso regional e internacionalização
No domínio da internacionalização, a Reitora destacou os acordos estabelecidos com universidades da China e de Macau, bem como a consolidação da Aliança Europeia EUGREEN. Sublinhou também a importância de apoiar estudantes estrangeiros e o papel do novo Centro CLAIM na integração académica e burocrática.
Relativamente à relação com o território, Hermínia Vilar apresentou o diagnóstico estratégico do campus universitário, cuja versão final será discutida com as autarquias e entidades regionais. «A Universidade tem de tomar a liderança do processo e não andar a reboque de soluções pontuais. Lanço desde já o desafio ao Presidente da Câmara de Évora para pensarmos juntos o futuro do campus universitário», afirmou.
A Universidade de Évora foi fundada em 1559 por iniciativa do Cardeal D. Henrique, com autorização do Papa Paulo IV através da bula Cum a nobis. Foi a segunda universidade criada em Portugal, após a de Coimbra, e desempenhou um papel fundamental na formação científica e humanista do país. Encerrada em 1759 com a expulsão da Companhia de Jesus, viria a ser refundada em 1973 como instituição pública de ensino superior, completando meio século de história contemporânea em 2025.























































































































































