Descoberto no Baixo Alentejo centro de produção metalúrgico com mais de 2 mil anos

Foi descoberto recentemente no Alentejo mais uma estrutura Romana com muitos milhares de anos.

Mariana Nabais contou à TSF que a equipa da escola de campo de arqueologia South-West Archaeology Digs (SWAD) encontrou “evidências de toda uma cadeia de produção de metais”. Acrescentou ainda terem sido identificadas várias estruturas datadas da época Romano Republicana (século I a.C.) e inúmeros artefactos.

“Ainda não sabemos qual era o metal produzido, porque têm de ser feitas análises químicas sobretudo às escórias, mas estamos em crer que seja produção de ferro”, disse à estação emissora.

A TSF acrescenta ainda que “os arqueólogos acreditam que os minérios eram provenientes de áreas envolventes ao Castelo Velho de Safara, como as jazidas da Serra da Preguiça e a zona mineira de Barrancos”.

“É um sítio muito grande, todo muralhado, tem uma muralha muito robusta e adoçado à muralha saem uma série de estruturas. Esta produção metalúrgica foi encontrada numa estruturas destas que está perto da muralha e perto de uma zona de circulação que nós julgamos ser uma rua que se desenvolveria paralela à murada e depois haverá eventualmente uma zona habitacional, mas que ainda está debaixo de terra”, revelou Mariana Nabais

As escavações foram dirigidas por Mariana Nabais e Rui Monge Soares. “Estamos sistematicamente a apanhar não só cerâmicas, como ossos de animais e uma série de objetos como alfinetes que nós chamamos de fíbulas, existem muitos pregos em ferro, pesos de tear, contas de colar em vido e numa pedra vermelha vulgo cornalina.”

Sem esconder o entusiasmo, Mariana Nabais conta que diariamente elegem a descoberta do dia e há dias em que há várias descobertas de destaque. Mas até aqui as mais especiais para a arqueóloga foram os alfinetes ou fíbulas em bronze. ” São de época romana e serviam para prender as vestimentas romanas.”

Estas descobertas surgem agora depois de uma primeira campanha de escavação no Castelo Velho de Safara, em 2018. Desde junho que os arqueólogos estão de volta ao terreno, com uma equipa constituída por membros de mais de 10 nacionalidades diferentes e com a direção científica dos dois arqueólogos portugueses.

No dia 20 de Julho haverá um ‘Dia Aberto’, para que o público possa visitar o Castelo e a escavação, e apreciar os artefactos descobertos no local.

Uma exposição sobre os trabalhos desenvolvidos pela equipa de arqueólogos estará patente da Casa da Moagem de Safara, no final das escavações, a partir de 30 de Agosto.

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