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Como é que aprendemos a parar? A Pandemia da Exaustão e Ansiedade

O panorama atual

O mundo em que vivemos é significativamente diferente do que era há apenas 80 anos atrás, antes de surgir o televisor, ou há 30 anos, antes de surgir a Internet. A quantidade de informação, de estímulos e distrações que entram em contacto com a nossa mente nos dias de hoje, cresceu imensamente. Em termos fisiológicos temos hoje o mesmo cérebro do caçador-recoletor de há 50.000 anos atrás. A diferença é que hoje em dia, se morarmos num meio urbano e utilizarmos a Internet, telemóvel, televisão, etc, é provável que recebamos mais informação e estímulos num mês do que o homem de há 50.000 anos atrás em toda a sua vida. É difícil de prever que impactos isto terá. Conseguirá a biologia acompanhar este ritmo de demandas sensoriais e evoluir de forma sustentada? Que tipo de cérebro ou sistema nervoso resultará desta necessidade de processar tanto estímulo? E entretanto, qual o impacto na nossa saúde e qualidade de vida?

A Sociedade do Cansaço

A revolução digital trouxe consigo algo inédito: a mente sequiosa pelo próximo pedaço de informação, a próxima imagem, o próximo tab, o próximo click. A nossa mente está a passar de focada, paciente e enérgica, para uma mente fragmentada, ansiosa e exausta.

Segundo o filósofo germano-coreano Byung-Chul Han, cada época da humanidade foi marcada por uma determinada patologia. Houve uma longa época bacteriana que durou até à descoberta da penicilina, depois houve uma época viral que foi mais ou menos ultrapassada por técnicas imunológicas. A patologia do nosso século é sobretudo psicoemocional. A depressão, o burnout, a ansiedade, o stress, a hiperactividade e o défice de atenção são agora os nossos carrascos silenciosos. Segundo este filósofo, o Ocidente está a tornar-se numa Sociedade do Cansaço.

A patologia do nosso século é sobretudo psicoemocional. A depressão, o burnout, a ansiedade, o stress, a hiperactividade e o défice de atenção são agora os nossos carrascos silenciosos

 Nos dias de hoje será seguro dizer que, a competência, o recurso, ou o tesouro mais valioso para o bem-estar e sanidade de um ser humano é a qualidade da sua atenção. A qualidade da atenção é o que separa uma vida de autómato de uma vida feita consciente. A capacidade de estar ligado à experiência vivida neste corpo, no momento presente, é o que dá cor e textura à vida, é o que dá magia a cada instante. Esta atenção plena, ou mindfulness, é o que traz saciedade perante a experiência tal como está, extraindo da simplicidade a quintessência de estar vivo. A verdadeira liberdade não advém da possibilidade de escolhermos de entre um sem fim de experiências, ou de termos experiências imensamente requintadas e cheias de adereços, mas antes do podermos abrir mão de todos os quereres e de estar plenamente em paz com o momento tal como está, sem haver nada a acrescentar.

“Nos dias de hoje será seguro dizer que, a competência, o recurso, ou o tesouro mais valioso para o bem-estar e sanidade de um ser humano é a qualidade da sua atenção.”

Criar resiliência pelo treino de Mindfulness e Autocompaixão

 Esta qualidade de atenção – mindfulness – existe potencialmente em todos os seres humanos e é independente de credos ou teísmos. No mundo da hiper-informação, da hiper-produtividade e do hiper-consumismo em que vivemos, treinar a qualidade de atenção e escolher criteriosamente onde e como investir esta atenção, é um ato essencial de nutrição e de sanidade mental. É também condição necessária ao autoconhecimento e autorrealização.

Mindfulness traz-nos a possibilidade de parar e reconhecer a realidade momento a momento, e assim expandir o nosso espaço de liberdade para fazer escolhas, ao invés de ficarmos prisioneiros dos nossos padrões condicionados de reatividade.

Se quiser ter um melhor enquadramento do que é mindfulness leia este artigo

A autocompaixão é outro elemento essencial a cultivar nos dias de hoje para cuidarmos da nossa saúde mental. A autocompaixão é uma qualidade/atitude/intenção/ação que se traduz pelo reconhecimento e motivação para aliviar o nosso próprio sofrimento. Autocompaixão é uma prática que nos leva a desenvolver uma relação mais terna, amável, responsável e corajosa perante nós mesmos. Outra forma de dizer isto é: tratarmo-nos a nós mesmos como trataríamos uma pessoa querida a debater-se com uma experiência de sofrimento. Esta qualidade de relação que vamos estabelecendo connosco mesmos, transforma a nossa atitude interna de critica numa voz mais compassiva e que nos suporta nos momentos difíceis.

A autocompaixão é uma qualidade/atitude calorosa que podemos ir construindo em nós mesmos, no sentido de atender ao que necessitamos e assim aliviar o sofrimento.

Se quiser ter um melhor enquadramento do que é autocompaixão leia este artigo.

Juntos mindfulness e autocompaixão formam um par que nos suporta na forma como nos relacionamos com a vida momento a momento.

O foco de Mindfulness é aceitar e estar com a experiência do momento presente, qualquer que esta seja. O foco da Autocompaixão é cuidar de quem experiencia quando há sofrimento.

O treino da meditação mindfulness e a prática da autocompaixão, podem ser aliados de peso quando toca a gerir o stress da vida, gerir emoções difíceis e fortalecer a nossa resiliência emocional.
Estas ferramentas, que na verdade fazem parte do “estojo” básico de todo o ser humano, podem ser (re)descobertas e fortalecidas com o treino.

“O foco de Mindfulness é aceitar e estar, com a experiência do momento presente, qualquer que esta seja. O foco da Autocompaixão é cuidar de quem experiencia quando há sofrimento.”

Treinar Mindfulness e Autocompaixão

Existem inúmeras possibilidades e abordagens no que toca ao treino da nossa mente, mas se pretende uma abordagem estruturada, consolidada e validada cientificamente, a nossa recomendação vai no sentido de realizar um dos seguintes programas de 8 semanas:

Programa de 8 Semanas de Redução de Ansiedade e Stress baseado em mindfulness (MBSR – Mindfulness-based Stress Reduction)

Este programa é reconhecido mundialmente e a sua eficácia tem sido comprovada cientificamente ao longo das ultimas décadas. Existem mais de de 8.000 artigos científicos publicados a validarem os benefícios da prática de mindfulness. O MBSR continua a ser considerado o “gold standard” do treino de mindfulness na redução de stress e ansiedade. O MBSR é recomendado pelo National Institute of Health and Clinical Excellence do Reino Unido.

Este programa com duração de 8 semanas, é uma intervenção psicoeducativa ao nível intra e interpessoal, baseado no treino experiencial de competências de mindfulness. Os conteúdos seguem o programa MBSR – Mindfulness Based Stress Reduction reconhecido mundialmente e comprovado cientificamente nas ultimas décadas. Através de práticas simples e eficazes de meditação mindfulness, de movimento consciente baseado em yoga e chi kung, partilhas e diálogo, vamos consolidando as qualidades de atenção plena, com aceitação, sem critica e sem julgamento, com o objetivo de integrar essas qualidades na nossa vivência do dia-a-dia. Esta outra forma de nos relacionarmos com a vida, ajuda a quebrar os ciclos de ansiedade, stress e esgotamento.

Para saber mais acerca do programa e verificar as próximas datas, programa mbsr

Programa de Autocompaixão baseado em Mindfulness (MSC – Mindful Self-Compassion)

Podemos dizer que este treino, é uma jornada de crescimento e empoderamento de 8 semanas, em grupo, sobretudo vivencial e baseada no programa validado empiricamente MSC – Mindful Self-Compassion, criado por Kristin Neff, Ph.D. e Chris Germer, Ph.D.

Existe atualmente um vasto corpo científico de ensaios baseados em evidências, conduzidos um pouco por todo o mundo, validando os benefícios de mindfulness  e da autocompaixão na saúde mental, emocional, física e espiritual, ao reduzir o stress, o esgotamento (burnout), depressão, ansiedade e promovendo bem-estar, resiliência e relações mais saudáveis e felizes.

Para saber mais acerca do programa e verificar as próximas datas, programa MSC

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