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Seca: Apicultores do Alentejo receiam perder produção e reclamam apoio do Estado

Com a seca a agudizar-se a cada dia que passa, produtores de mel do Alentejo anseiam por chuva, nas próximas semanas, para evitar a quebra total da produção deste ano e reclamam apoios do Estado.

“Se não chove ou há estas secas extremas, as abelhas sofrem muito com isso”, pois “não têm alimento” porque “não há praticamente flores no campo”, alerta à agência Lusa o produtor apícola e dirigente associativo, Isidro Rebocho.

Este produtor, que é também presidente da Montemormel – Associação de Apicultores do Concelho de Montemor-o-Novo, com sede nesta cidade do distrito de Évora, possui, juntamente com o filho, 550 colmeias distribuídas por três concelhos da região.

Um dos seus apiários está num terreno próximo de Baldios, perto de Montemor-o-Novo. Enquanto explica à Lusa os problemas que enfrenta devido à falta de chuva, o filho, devidamente equipado com fato protetor e com um fumigador para “acalmar as abelhas”, prepara a abertura de uma das cerca de 20 colmeias.

Isidro Rebocho e o filho, cuja produção anual em anos normais ronda os 30 quilos por colmeia, já estão a ‘sentir no bolso’ os custos da alimentação artificial para as abelhas, “à base de açúcares e pólen”, devido à falta de alimento natural nos campos.

“Temos que as alimentar com uma pasta proteica e pólen porque, nesta altura, elas dependem muito do pólen para aumentar a população”, porque “as plantas estão sem néctar” e, como “praticamente não há flores no campo, não há pólen”, frisa.

Assinalando que, caso não chova nas próximas semanas, a campanha deste ano pode ficar comprometida, o apicultor e presidente da Montemormel já dá “praticamente” como perdida a produção de mel de rosmaninho, que “é o mais valorizado”.

“Está praticamente fora de questão. Já não se deve produzir porque é uma planta muito sensível e requer chuva nesta altura do ano, em janeiro e fevereiro, para, depois, florir em março e abril”, sublinha.

Com os custos a aumentarem, vinca Isidro Rebocho, os apicultores pedem ao Estado “ajuda para a aquisição” dos alimentos para as abelhas de modo a que as colmeias possam ultrapassar “este período mais carente”.

“O parente pobre da agricultura é a apicultura, que não tem apoios nenhuns”, considera, destacando que “já se fala de apoios para os animais”, devido à seca, mas “os insetos são sempre esquecidos”.

Aguardando por “melhores anos”, este apicultor alentejano receia agora que aconteça o mesmo que na campanha de 2005, quando só conseguiu uma produção de “um quilo ou dois por colmeia”, a qual foi apenas para “consumo das abelhas”.

A acompanhar a visita às colmeias, o responsável técnico da Montemormel, Paulo Varela, realça à Lusa que “a apicultura em Portugal depende muito de flores e matos silvestres” e, em anos de seca, não há plantas ou as que existem não têm “o vigor” que permite a produção de mel.

“Se chover durante o mês de março” e vierem “algumas chuvas regulares que reguem as pastagens, ainda podemos ter alguma produção de mel”, mas “nunca irá ser já um ano completamente normal” para o setor, estima.

Segundo Paulo Varela, se a falta de chuva se prolongar por mais algum tempo, os campos, cuja pastagem está “com um coeficiente de murchamento muito elevado e próximo da morte”, não vão ter flores e “não vai haver produção de mel”.

O responsável avisa que, devido à seca, muitos apicultores vão ter que “suplementar as suas colmeias” porque, se não o fizerem, “os enxames começam a regredir e a diminuir, por não haver alimento na natureza”.

“Não podemos deixar cair muito os enxames sob pena de não conseguirmos produzir mel” para que as colmeias tenham “condições produtivas” e, se chover de “um momento para o outro”, as abelhas “possam produzir algum mel”, sublinha.

Tal como o presidente da associação, também Paulo Varela defende que o Estado deveria apoiar mais a apicultura e sugere que, para os produtores fazerem face às consequências da seca, seja prestada ajuda na aquisição de alimento para as abelhas.

A Montemormel tem cerca de 230 produtores associados, com um efetivo total que ultrapassa as 22 mil colónias de abelhas, abrangendo as áreas geográficas do distrito de Évora e parte da Península de Setúbal e do Ribatejo.

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