Volta-se a apelar à criação da Casa Museu Florbela Espanca. Tiago Salgueiro diz “se a comunidade participar temos meio caminho” (c/som)

Conforme noticiamos, Vila Viçosa recebeu no passado sábado (7 de Dezembro) o Congresso Internacional de Homenagem a Maria Lúcia Dal Farra, no centenário da publicação do Livro de Mágoas, de Florbela Espanca.

Durante todo o dia, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Vila Viçosa muito se falou de Florbela Espanca, poetisa Calipolense, sendo que, um dos principais pontos a serem falados foi a necessária Casa Museu de Florbela Espanca.

Neste sentido ODigital.pt falou o investigador calipolense Tiago Salgueiro, que nos últimos anos se tem debatido pela construção da Casa Museu de Florbela Espanca, tendo começado por dizer que “realmente é um tema que temos vindo a assumir e a desenvolver ao longo dos últimos anos, desde 2014, fizemos um levantamento muito exaustivo relativamente a peças relacionadas com a temática florbeliana e realmente isso é proporcionar uma Casa Museu em Vila Viçosa, nomeadamente na antiga Rua da Corredora, que pensamos ser o espaço adequado para receber estas diferentes colecções que se encontram dispersas um pouco por todo o lado”, acrescentando que a criação desta casa museu é “uma questão de protecção e valorização precisa de um espaço digno. Esse tem sido o nosso projecto e a nossa luta e esperemos que haja vontade política ou uma entidade de tutela que possa acolher esta iniciativa e dar-lhe uma outra proporção e outra grandeza.”

Questionado sobre o facto de ser um dos poucos casos existentes em Portugal onde ainda existe o espaço, o espolio e a personagem, ou seja, tudo o que seria necessário para criar a casa museu, Tiago Salgueiro referiu que “acho que há uma dívida de memória em relação a Florbela Espanca, e temos encontrado em muitas colecções particulares muitas fotografias e manuscritos inéditos e a nossa ideia é com essas colecções fazer a base do núcleo museológico”, salientando que “é necessária toda a ajuda, os conteúdos estão mais ou menos todos preparados. Temos esse levantamento todo feito, depois é necessário que haja vontade política também, que alguma instituição pegue no projecto. Não colocámos qualquer tipo de condição relativamente a isso, a ideia é disponibilizar os materiais que já estão identificados e depois a partir daí definir um programa museológico.”

Sobre a vontade politica e até mesmo de outras entidades em avançar com a referida casa museu, o investigador afirma que “têm existidos diversas dificuldades mas os obstáculos têm de ser ultrapassados, é preciso vontade de todos. Eu penso que a comunidade calipolense também tem de se envolver nesta causa, porque isto pode trazer muitos benefícios. Temos esta conferência repleta de oradores brasileiros, portanto isto é um filão que pode e deve ser explorado e depois há a memória da Florbela que tem sido quase sempre esquecida. E penso que os políticos têm alguma responsabilidade nessa matéria, porque nunca acolheram muito esta iniciativa ou nunca lhe dedicaram uma atenção especial e a política é feita de opções.”

Questionado sobre um maior envolvimento da comunidade calipolense no apoio a esta causa, o investigador salienta que “se a comunidade participar temos meio caminho andado para desenvolver o projecto, eu tenho tido acolhimento de algumas pessoas que contactei, portanto há vontade de avançar com este projecto mas é necessário que a vontade seja transversal a toda a comunidade calipolense.”

Já sobre o apoio a esta causa por parte do Grupo de Amigos de Vila Viçosa, possuidor de grande parte do espólio de Florbela Espanca, Tiago Salgueiro explica que “o Grupo de Amigos de Vila Viçosa tem desempenhado um papel importante nesta matéria mas de facto como sabemos as instituições também estão esvaziadas de pessoas e isso implica que também determinado tipo de projectos ou iniciativas não se possam realizar. Portanto também é necessário que os órgãos sociais possam ser preenchidos por pessoas que tenham esta motivação ou vocação de proteger um património que é de todos. Enquanto isso não acontecer vai ser extremamente difícil.”

ODigital.pt sabe que Tiago Salgueiro contactou a Entidade Regional de Turismo a fim de obter apoios para esta iniciativa de criar a Casa Museu e questionado sobre este assunto, o investigador calipolense afirma que “a equipa do Dr Ceia da Silva vai lançar em 2020 um projecto que se intitula Rota do Turismo Literário, inclui 15 municípios, Vila Viçosa ficou de fora desta vez porque não estavam reunidas as condições para que esse protocolo com o município de Vila Viçosa pudesse ser assinado. Mas temos uma base de trabalho que pode ser importante e fica essa vontade da Turismo Alentejo de vir entregar o nome de Florbela e de Vila Viçosa no futuro.”