VMER chegou ao acidente que envolveu o carro do ministro uma hora depois, por alegado erro do CODU

VMER

O acidente que envolveu a viatura oficial do Ministro da Administração Interna na A6 e que vitimou um homem, continua envolto em polémica.

A Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Évora terá chegado ao local uma hora depois do acidente devido a um alegado erro do Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), denuncia o médico do INEM António Peças.

Segundo relata o profissional de saúde, o CODU “activou a VMER de Évora para o trajecto Évora-Montemor quando o acidente ocorreu no trajecto Estremoz-Évora, o que levou a que a VMER chegasse ao local mais de uma hora depois de iniciar o caminho para o local”.

António Peças refere ainda que “alguém no CODU terá modificado os dados inicialmente enviados na ficha de activação, corrigindo a localização da ocorrência”.

O médico António Peças, na denuncia que agora faz, refere-se ao INEM dizendo “esse Instituto, tão solícito em fazer chegar os excertos convenientes de gravações de chamadas à comunicação social quando pretende linchar publicamente um seu prestador de serviços, irá agora adoptar o mesmo procedimento?”, alertando ainda que “estes equívocos se repetem amiúde e comprometem irreversivelmente a vida das vítimas”.

António Peças questiona ainda “desta vez não se denuncia? Ninguém investiga? Não se abrem inquéritos? O INEM voltará a sacudir a água do capote e a atribuir a responsabilidade a terceiros, como é seu hábito?”

ODigital.pt já contatou o INEM a fim de obter mais esclarecimento sobre esta situação, sendo que até ao momento não obteve qualquer tipo de resposta.

Recorde-se que no passado dia 18 de junho, um trabalhador morreu atropelado na autoestrada A6, no Alentejo, pelo carro que transportava o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, o Ministério da Administração Interna (MAI) anunciou que uma pessoa tinha morrido atropelada na A6, num acidente envolvendo o carro que transportava o ministro Eduardo Cabrita.

“No regresso de uma deslocação oficial a Portalegre, a viatura que transportava o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, sofreu um acidente de viação, do qual resultou a morte, por atropelamento, de um cidadão, na autoestrada A6”, referia o mesmo comunicado.

Fonte do Comando Territorial de Évora da GNR revelou, igualmente na sexta-feira, que a pessoa atropelada era um trabalhador, de 43 anos, que fazia a manutenção da via.

O acidente nesta autoestrada, que liga Marateca à fronteira do Caia, em Elvas (distrito de Portalegre), ocorreu “por volta das 13:00”, ao quilómetro 77, na zona do concelho de Évora, no sentido Évora – Lisboa, disse a mesma fonte.

Já o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora disse, na sexta-feira, que o alerta para o acidente rodoviário foi dado aos bombeiros às 13:14 de sexta-feira.

O homem, trabalhador de uma empresa que realizava trabalhos de manutenção da via, ainda “foi assistido”, mas “acabou por falecer no local”, assinalou a mesma fonte do CDOS.

No sábado, o MAI esclareceu que não existia sinalização para alertar os condutores dos “trabalhos de limpeza em curso” na autoestrada A6 quando a viatura do ministro atropelou mortalmente um trabalhador.

“Não havia qualquer sinalização que alertasse os condutores para a existência de trabalhos de limpeza em curso” na autoestrada, pode ler-se no esclarecimento enviado pelo ministério tutelado por Eduardo Cabrita.

O MAI disse então que o veículo “não sofreu qualquer despiste” e “circulava na faixa de rodagem, de onde nunca saiu, quando o trabalhador a atravessa”.

“O trabalhador atravessou a faixa de rodagem, próxima do separador central, apesar de os trabalhos de limpeza em curso estarem a decorrer na berma da autoestrada”, adiantou ainda o ministério.

Sobre outros pormenores, o MAI lembrou que está em curso uma investigação ao acidente, por parte do Núcleo de Investigação Criminal de Acidentes de Viação (NICAV) de Évora da GNR, escusando-se a prestar mais informações.