A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) e a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal lançaram o programa “Exportação como Motor de Valor – CVRA & AICEP”.
A iniciativa destina-se a reforçar a presença dos vinhos do Alentejo nos mercados internacionais e a criar valor através da qualificação da oferta.
O programa assinala o arranque das ações previstas no Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026–2031, que estabelece como objetivo central a “duplicação das exportações” da região num horizonte de cinco anos. Atualmente, os vinhos do Alentejo exportam cerca de 20 milhões de litros, meta que a CVRA pretende elevar para mais de 40 milhões.
Formação e capacitação são pilares da estratégia de internacionalização
De acordo com Luís Sequeira, presidente da CVRA, em delcarações a’ODigital.pt, a iniciativa foi desenhada em parceria com a AICEP e vai começar pela formação, “através da Academia AICEP”.
“Pretendemos apostar na capacitação dos agentes económicos do Alentejo, reforçando o conhecimento específico na área da exportação”, afirmou ainda.
Segundo o presidente, esta aposta é determinante para sustentar a ambição de “crescimento internacional” e responder de forma mais eficaz às “exigências” dos diferentes mercados.
Brasil e Ásia entre os mercados prioritários para os vinhos do Alentejo
A estratégia passa por uma atuação mais focada nos mercados considerados “prioritários”, combinando geografias já “maduras” com novas oportunidades de expansão.
Entre essas apostas está a Ásia, onde a Coreia do Sul é identificada como um “mercado-hub”, bem como o reforço da presença no Brasil, atualmente o principal destino dos vinhos do Alentejo no exterior.
“Vamos praticamente dobrar o investimento promocional no estrangeiro, com um destaque significativo para o Brasil”, indicou Luís Sequeira, referindo que a expectável ratificação do acordo Mercosul poderá criar condições mais favoráveis para o aumento das exportações, através da “redução progressiva” de taxas alfandegárias atualmente “superiores a 100%”.
Compradores internacionais visitam o Alentejo a partir de fevereiro
O programa prevê ainda o início, já “a partir de fevereiro”, de “visitas inversas”, com a vinda ao Alentejo de “compradores seniores” dos mercados identificados como prioritários.
O objetivo passa por “aproximar” decisores internacionais dos produtores da região aos produtos alentejanos e potenciar oportunidades comerciais diretas. Esta abordagem pretende facilitar a escolha de empresas e vinhos por parte dos compradores e “acelerar a concretização de negócios”.
Valorização do preço médio e reforço do mercado nacional
Apesar do foco na internacionalização, a CVRA sublinha que esta estratégia decorre em paralelo com o reforço da presença no mercado nacional, onde os vinhos do Alentejo detêm cerca de 40% de quota.
A aposta passa também pela valorização do produto, numa “estratégia promocional” orientada para o “aumento do preço médio”, não necessariamente do volume”, explicou Luís Sequeira.
O presidente apontou a evolução do perfil do consumidor para esta decisão, uma vez que “consome menos, mas com maior exigência de qualidade”, sendo este um fator “favorável” à afirmação dos vinhos do Alentejo.

















