Vila Viçosa: Tiago Salgueiro lança livro que é uma “fita do tempo” do que foi a Gripe Espanhola (c/fotos)

Tiago Salgueiro

O investigador calipolense Tiago Salgueiro apresentou, em Vila Viçosa, este domingo, mais uma obra da sua autoria.

Intitulada “A RUA DE TRÊS – Memórias da Gripe Espanhola de 1918 em Vila Viçosa”, esta obra trata-se de uma investigação que se baseia sobretudo na análise da documentação produzida pela subdelegação de saúde de Vila Viçosa (que se encontra no Arquivo Histórico Municipal), onde foi registado o primeiro caso de Gripe Espanhola no contexto nacional, em maio de 1918, assim como na recolha de testemunhos sobre o que permaneceu na memória coletiva dos Calipolenses relativamente a este tema.

A cerimónia de apresentação aconteceu no adro da igreja de Nossa Senhora da Lapa, em Vila Viçosa e contou com uma boa moldura humana a assistir ao lançamento.

Em declarações a’ODigital.pt o investigador Tiago Salgueiro começou por explicar que “esta obra fala sobre o registo do primeiro caso de Gripe Espanhola que foi registado aqui em Vila Viçosa, em maio de 1918”, acrescentando que na altura “o sub-delegado de saúde, o Dr. Couto Jardim, regista o primeiro doente que veio infetado de Espanha, que era um trabalhador sazonal, que sendo de Vila Viçosa trabalhava nos campos de Olivença.

Relata ainda Tiago Salgueiro que “na altura foi descrito que era uma doença com uma tipologia desconhecida e então o Dr. Couto Jardim acaba por enviar uma notificação ao Dr. Ricardo Jorge, que era o Diretor Geral de Saúde na época, falando sobre a situação em Vila Viçosa que teve um contágio muito rápido, mas ao nível gastrointestinal, com um índice de mortalidade muito reduzido, havendo registo de apenas 1 óbito em maio, sendo que em meados de junho a situação estará controlada. Com a chegada da segunda vaga, em outubro de 1918, o nível de mortalidade acaba por ser muito elevado e essa variante da doença acaba por afetar os órgãos respiratórios.

O que nós fizemos foi o registo dessa correspondência que foi trocada entre o Dr. Couto Jardim, as entidades locais e a Direção Geral de Saúde, onde se relata todos os episódios decorrentes de toda a situação, com as mortes que ocorreram em grande número e aquilo que tentamos fazer foi uma espécie de fita do tempo com aquilo que aconteceu a partir de maio de 1918 até à possível quarta vaga que é registada em 1920”, indicou Tiago Salgueiro que, acrescenta que “acaba por ser um trabalho de investigação para  podermos comparar aquilo que aconteceu há mais de 100 anos atrás com a nossa realidade de hoje”.

O investigador Calipolense refere-nos ainda que neste livro há “registo de alguns testemunhos de pessoas que, apesar de não terem vivido esse tempo, acabaram por ouvir histórias contadas pelos seus pais ou familiares. Em São Romão há várias pessoas quase com 100 anos que nos contaram essas histórias e que relatam episódios curiosos.

Questionado se este era um projeto já pensado ou se surgiu com a chegada da Covid-19, tendo Tiago Salgueiro dito que “no fundo já tínhamos curiosidade para esta matéria, mas houve aqui uma conjugação das circunstâncias, porque estando eu a investigar no Arquivo Histórico Municipal de Vila Viçosa outras informações, descobri esta correspondência do Dr. Couto Jardim e o próprio questionário que foi depois enviado para a DGS e, a partir daí começamos esta investigação mais detalhada. Mas sim, coincidiu com este período da pandemia, quando o Covid-19 começou em força no nosso país, nós acabámos por nos debruçar um pouco mais sobre esta realidade até para fazermos essa comparação entre a doença de há 100 anos com a de agora.

Tiago Salgueiro vincou que “este livro é uma edição de autor, não teve qualquer tipo de apoio institucional, ou seja, foi feito graças ao esforço familiar do próprio autor, sendo que todos os interessados poderão contatar-me, mas esperamos que possa haver uma segunda edição e assim entrar no circuito comercial até para que depois se possam lançar outras investigações sobre este tema.”

Fique de seguida com as imagens do lançamento, numa reportagem de Hugo Calado: