Vila Viçosa recebeu congresso sobre Florbela Espanca, com um dos organizadores a anunciar para 2020 um dicionário sobre a poetisa (c/som e fotos)

Entre os dias 5 e 7 de Dezembro decorreu o Congresso Internacional de Homenagem a Maria Lúcia Dal Farra, no centenário da publicação do Livro de Mágoas, de Florbela Espanca.

Este congresso decorreu na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em Vila Viçosa.

Na sua obra de estreia, Livro de Mágoas, publicada em 1919, Florbela inicia uma carreira literária que, durante longo tempo, reivindicará o seu lugar (e de outras escritoras) no cânone literário português, enfrentando inicialmente enormes resistências por parte da sociedade e da crítica.

Este congresso permitiu uma reflexão a partir de três grandes eixos temáticos, a obra de Florbela Espanca: novas perspetivas críticas; Maria Lúcia Dal Farra, a crítica e a escritora; e Florbela e Maria Lúcia em diálogo.

ODigital.pt acompanhou este congresso e falou com um dos grandes impulsionadores deste congresso, o investigador Mário Fábio da Silva, que começou por dizer que “foram 44 oradores, cerca de 20 comunicações em torno da crítica e poetisa Maria Lúcia Dal Farra e outras 20 comunicações em torno da obra de Florbela Espanca.”

O investigador explicou ainda que neste congresso “tivemos escritores que vieram dos Estados Unidos, Portugal, Brasil, Inglaterra, e foram 3 dias muito profícuos, os dois primeiros na Universidade de Lisboa com o apoio da CLEPUL e o terceiro dia aqui em Vila Viçosa com o apoio das instituições, Câmara Municipal, Fundação da Casa de Bragança, CECHAP e acima de tudo foi um congresso de parcerias, sobre a obra de Florbela e Maria Lúcia, sobre essas duas mulheres que dialogam entre si,  o resultado foi muito positivo.”

Sobre Vila Viçosa Mário Fábio afirma que “nos acolheu muito bem, como nos acolheu em 2011 no congresso do cineteatro de Vila Viçosa, no qual também aconteceu a antestreia do filme Florbela Espanca, a nível nacional e estamos extremamente felizes com os resultados académicos, vamos separar os textos”, acrescentando que “há 3 textos/ensaios que vão para a revista Calipo e os restantes vão ser publicados num livro impresso sobre a obra de Florbela e outro só de Maria Lúcia. E temos informação também através do CLEPUL de publicar no ano que vem um dicionário de Florbela Espanca com cerca de 70 colaboradores e mais de 100 entradas sobre a vida, obra e pessoas que estiveram ao lado de Florbela com a contribuição da família, Joana Espanca Bacelar e João Espanca Bacelar com direcção de Maria Lúcia dal Farra.”

Mário Fábio conclui dizendo que “os projectos continuam em torno de Florbela e esperamos voltar aqui futuramente para uma possível inauguração da Casa Museu de Florbela Espanca”.