A Fundação da Casa de Bragança inaugurou, este sábado, duas novas salas expositivas no Paço Ducal de Vila Viçosa, dedicadas a D. João VI e à relação histórica entre Portugal e o Brasil. A nova ala, intitulada “D. João VI, Portugal e o Brasil”, passa a integrar o circuito permanente de visita do monumento.
Para João Azevedo, presidente do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Bragança, a abertura das novas salas permite tornar mais visível parte do acervo da instituição. «Temos aqui muitas coisas que não tínhamos espaço para expor e também às vezes não tínhamos o contexto para fazer a exposição», afirmou.
O responsável sublinhou que a nova ala representa «uma ligação à época em que a família real viveu no Brasil» e também «uma ligação entre Portugal e o Brasil», considerando tratar-se de «uma parte comum da nossa história».
Exposição percorre várias fases da vida de D. João VI
Ana Saraiva, diretora do Museu-Biblioteca da Fundação da Casa de Bragança, explicou que a nova área expositiva propõe uma leitura das várias etapas da vida de D. João VI, enquanto duque de Bragança, príncipe regente, rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e rei de Portugal.
Segundo a responsável, o discurso expositivo foi construído a partir do acervo do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança e privilegia a janela temporal que vai da aliança matrimonial de D. João com D. Carlota Joaquina ao exercício como príncipe regente, à viagem e permanência da corte portuguesa no Brasil e ao regresso do monarca a Portugal.
Ana Saraiva recordou ainda vários episódios que ligam D. João VI ao Paço Ducal de Vila Viçosa, nomeadamente a chegada da família real e da corte ao monumento em abril de 1785 e a passagem do monarca pelo Alentejo em 1806.
Ligação ao Brasil assume papel central
A relação histórica entre Portugal e o Brasil assume uma dimensão central na nova exposição. João Azevedo afirmou que «Portugal deve muito ao Brasil», lembrando que o território brasileiro foi «a zona de acolhimento da família real» num momento decisivo da história portuguesa.
O presidente do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Bragança considerou ainda que a ida da família real para o Brasil contribuiu para garantir a independência portuguesa. «Se a família real não tem ido para o Brasil, nós se calhar, tal como outros países da Europa Central, teríamos sido desmembrados e separados em vários reinos», referiu.
Também Ana Saraiva destacou essa ligação, afirmando que o circuito renovado procura «interpelar e promover o diálogo cultural entre Portugal e o Brasil», através das trocas culturais e das expressões construídas em conjunto por portugueses e brasileiros.
Música sacra e acervo artístico integram nova ala
A diretora do Museu-Biblioteca referiu que a exposição se inspira nos ambientes culturais e artísticos em que D. João VI se moveu, incluindo a relação do monarca com a música sacra.
Entre os objetos e documentos apresentados encontram-se vidros da família real, obras de artistas ligados ao período e partituras de música sacra de Marcos Portugal, compositor associado à corte portuguesa.
A inauguração integrou ainda uma conferência dedicada a D. João VI e à música, apresentada por António Jorge Marques, e um concerto pelo Coro de Câmara de Lisboa.
A nova ala passa, assim, a reforçar o circuito de visita do Paço Ducal de Vila Viçosa, no ano em que se assinalam os 200 anos da morte de D. João VI.











































