A Câmara Municipal de Vila Viçosa vai lançar o concurso público para a aquisição de uma biblioteca móvel, um projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que pretende suprir a ausência de uma biblioteca pública no concelho.
O presidente da autarquia, Inácio Esperança, confirmou que o processo de candidatura está concluído e que a iniciativa avança agora para a fase de contratação.
«Finalmente, a biblioteca que está anunciada há dois anos pelo PRR. Conseguimos a aprovação de todos os documentos que compõem a candidatura pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DG Lab). Conseguimos a aprovação do caderno de encargos para a viatura e para os equipamentos que a compõem. Portanto, em breve será lançado o concurso público para a aquisição da biblioteca da viatura que, esperemos, nos próximos tempos, possa estar entre nós», afirmou o autarca.
Apesar do avanço no processo, o presidente da câmara sublinha que a prioridade do município continua a ser a construção de uma biblioteca física. «Vila Viçosa continua a ser dos poucos concelhos do país sem biblioteca pública», afirmou, explicando que a vila não dispõe de um espaço dedicado ao serviço público de leitura, como acontece na maioria dos municípios portugueses.
Segundo Inácio Esperança, Vila Viçosa integra um grupo restrito de cinco municípios que não possuem biblioteca pública, juntamente com Terras de Bouro, Marvão, Aljezur e Calheta de São Jorge, nos Açores. «A senhora ministra deu-nos algum alento com isso na última visita que nos fez. O Governo decidiu que tem de haver biblioteca pública nestes sítios. Falta-nos saber o envelope financeiro com o qual podemos contar», referiu.
O autarca reforçou que esta situação poderia ter sido evitada caso tivesse havido um planeamento adequado aquando da definição do PRR. «É lamentável que em 2015, quando o PRR foi delineado, não se tenha pensado em arranjar dois milhões de euros para cinco municípios, para se fazer uma biblioteca, dinheiro que ainda por cima não vamos conseguir gastar. E nós conseguiríamos gastá-lo? Certamente», apontou.
Enquanto o município aguarda pela definição de um plano de investimento para a construção de uma biblioteca física, a biblioteca móvel surge como uma alternativa para mitigar a ausência de serviços bibliotecários públicos no concelho.
«Sim, colmata uma falha. Mas aquilo que queremos mesmo é uma biblioteca física», afirmou o presidente da câmara, sublinhando que, apesar do investimento na biblioteca itinerante, a ambição da autarquia é dotar Vila Viçosa de um espaço fixo e acessível a toda a população.
O processo de candidatura da biblioteca móvel não foi isento de dificuldades. «Foi um ano e meio de luta com a DG Lab e outras instituições para conseguir a aprovação destes institutos para a candidatura», explicou o autarca, referindo que este período exigiu persistência por parte do município para garantir a viabilização do projeto.
O concurso público lançado prevê a aquisição da viatura e dos equipamentos necessários para garantir um serviço itinerante de acesso ao livro e à leitura. O município aguarda agora pela conclusão do procedimento para que o novo equipamento possa entrar em funcionamento.
A criação desta biblioteca móvel representa um passo importante para reforçar a oferta cultural no concelho, permitindo levar livros e atividades de promoção da leitura às diversas freguesias do município. No entanto, a câmara municipal mantém o objetivo de concretizar, no futuro, a instalação de uma biblioteca pública física em Vila Viçosa.


















