A Câmara Municipal de Viana do Alentejo identificou cerca de 650 contadores com água por pagar ao município, uma situação que o presidente da autarquia, Luís Metrogos, associa a uma dívida global de cerca de 250 mil euros no serviço de abastecimento.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, o autarca afirmou que esta é “talvez a herança mais pesada” do atual mandato, pelo impacto financeiro nas contas municipais e pela desigualdade que, considera, cria face aos consumidores que mantêm os pagamentos em dia.
“Existem cerca de 650 contadores que atualmente não pagam a água ao município”, afirmou Luís Metrogos, acrescentando que os dados levantados pela autarquia apontam para um aumento da dívida anual de cinco mil euros, em 2021, para 107 mil euros, em 2025.
Dívida da água ronda os 250 mil euros
Segundo Luís Metrogos, a dívida global associada ao abastecimento de água ronda atualmente os 250 mil euros no concelho de Viana do Alentejo.
O presidente da Câmara defende que a situação tem impacto nas contas municipais e coloca uma questão de justiça perante os consumidores cumpridores.
“Há aqueles que pagam e não têm que pagar para que outros não o façam”, referiu o autarca, acrescentando que “os munícipes que pagam não têm de ser prejudicados”.
Para responder ao problema, a Câmara prepara o envio de “avisos de corte de água” aos consumidores com pagamentos em atraso. Ainda assim, Luís Metrogos garante que a autarquia pretende “criar condições para que as dívidas sejam regularizadas”.
Planos de pagamento já estão disponíveis
O presidente da Câmara de Viana do Alentejo afirma que os munícipes com valores em atraso já podem solicitar planos de pagamento.
“Qualquer dos nossos munícipes que queira regularizar a dívida que tem para com a Câmara Municipal pode fazer desde já”, disse Luís Metrogos, explicando que o procedimento será depois formalizado internamente.
O autarca admitiu que, entre os cerca de 650 contadores identificados, existem situações diferentes. Segundo Luís Metrogos, há casos de pessoas que poderão não pagar por dificuldades financeiras, outros por esquecimento e outros por desleixo.
A prioridade, defende, passa por sensibilizar os consumidores e permitir a regularização das dívidas, de forma a repor a normalidade no serviço de abastecimento de água.
Município perde 40% da água que compra
Além da dívida associada aos pagamentos em atraso, Luís Metrogos apontou outro problema no setor da água: as perdas na rede de abastecimento.
Segundo o presidente da Câmara, o município perde cerca de 40% da água que compra à Águas Públicas do Alentejo. Esta água é paga pelo município, mas não chega a ser faturada aos utilizadores devido a fatores como ruturas, problemas de contabilização e água não faturada.
“A água é um bem precioso” e “ser perdida desta forma é completamente incompreensível”, afirmou Luís Metrogos, sublinhando que a situação tem consequências ambientais e financeiras.
Para o autarca, o valor das perdas representa uma despesa sem retorno para o município, uma vez que parte da água comprada não chega aos consumidores ou não é devidamente registada no sistema.
Câmara quer identificar ruturas na rede
Para reduzir as perdas de água, a Câmara Municipal de Viana do Alentejo está a preparar a contratação de uma empresa para identificar ruturas na rede de abastecimento.
“Neste momento temos em curso a contratação de uma empresa para nos fazer uma identificação de todas as ruturas que existam no concelho”, afirmou Luís Metrogos, explicando que o objetivo é, depois desse levantamento, avançar com reparações através dos meios próprios da autarquia.
Segundo o presidente da Câmara, este trabalho é necessário porque muitas perdas “não são visíveis” à superfície, sublinhando que a identificação destes locais terá de ser feita de forma técnica e continuada.
Luís Metrogos acrescentou que este processo não terá resultados imediatos, mas considera que é um primeiro passo para travar parte das perdas na rede: “Este terá que ser um trabalho contínuo”.
Em paralelo, a autarquia está também a analisar situações “daquilo que poderá ser a água não faturada”, disse o autarca, defendendo que esse trabalho poderá contribuir para “diminuir este valor de perdas” no concelho.
Intervenção prevista no bairro Fragoso, em Alcáçovas
A médio prazo, o município prepara também uma candidatura ao ciclo urbano da água para intervir no Bairro Fragoso, em Alcáçovas.
“A longo prazo, temos também preparada uma candidatura ao Ciclo Urbano da Água (CUA)”, afirmou Luís Metrogos, explicando que a intervenção deverá permitir avançar com a requalificação da rede naquele bairro.
Segundo o presidente da Câmara, o Bairro Fragoso foi o “primeiro bairro identificado” para esta candidatura. O projeto, ainda sem valores totalmente fechados, poderá representar um investimento estimado em cerca de um milhão de euros.
Luís Metrogos adiantou que a intervenção pretende “reabilitar as condutas de abastecimento de água e saneamento” do bairro, incluindo também melhorias ao nível da pavimentação.
Para o autarca, este investimento faz parte do trabalho necessário para reduzir as perdas de água no concelho. “Este é o trabalho que tem que ser feito para que consigamos chegar ao final deste mandato com uma redução dessas mesmas perdas”, afirmou.




















