A viagem da elefante Kariba para o Santuário de Elefantes do Alentejo, localizado entre os concelhos de Vila Viçosa e Alandroal, foi adiada devido a um abcesso detetado numa das patas dianteiras, poucos dias antes da transferência prevista a partir da Bélgica.
A relocalização estava prevista para o final de maio, mas a equipa responsável decidiu suspender o transporte até que o problema clínico esteja totalmente resolvido. Segundo a informação divulgada pela Pangea, a recuperação deverá implicar um período mínimo de oito semanas, antes de Kariba poder retomar a preparação para a viagem até Portugal.
O abcesso foi aberto e drenado, permitindo iniciar o processo de tratamento da infeção. Desde então, Kariba tem continuado a receber acompanhamento veterinário regular no Pakawi Park, em Balen, na Bélgica, onde vive atualmente.
A equipa refere que os primeiros sinais da recuperação são encorajadores, mas sublinha que o processo não será apressado. A prioridade passa por garantir que a elefante está em condições de viajar sem risco de agravamento da lesão ou de comprometimento da recuperação.
Kariba acompanhada com recurso a imagem térmica
A evolução clínica de Kariba está também a ser avaliada com recurso a tecnologia de imagem térmica, utilizada para identificar zonas de inflamação através do calor emitido pela superfície corporal.
A avaliação foi feita com o acompanhamento de Jan Schmidt-Burbach, diretor de investigação em vida selvagem e especialização veterinária da World Animal Protection Denmark e membro da direção da Pangea. O especialista desenvolveu investigação doutoral na área da termografia aplicada às patas de elefantes, tendo analisado mais de uma centena de animais em vários países europeus.
De acordo com a informação divulgada, as imagens térmicas de Kariba mostram a inflamação esperada em torno do abcesso. Essa leitura servirá agora como referência para os próximos exames, que serão repetidos nas próximas semanas.
Se a área inflamada diminuir, a equipa veterinária terá indicação de que o tratamento está a resultar e de que a pata continua a recuperar. Caso a inflamação se mantenha ou aumente, o plano de tratamento poderá ser reavaliado antes de surgirem sinais clínicos mais graves.

Outra pata também vai ser monitorizada
A equipa está ainda atenta à possibilidade de Kariba estar a colocar mais peso na outra pata dianteira, como forma de compensar o desconforto provocado pela lesão inicial.
Este tipo de compensação é comum quando um animal evita apoiar totalmente uma pata afetada. Para já, não há indicação de um problema grave, mas a situação continuará a ser acompanhada para evitar que a pressão adicional possa originar uma lesão secundária.
A transferência de Kariba para o Alentejo tem sido acompanhada ao longo dos últimos meses, depois de a elefante ter sido apontada como uma das primeiras residentes previstas para o santuário. Nascida no Zimbabué e depois transferida para a Europa, Kariba viveu durante décadas em contexto de cativeiro, antes do processo que deverá conduzi-la ao Pangea Elephant Sanctuary.
O santuário alentejano, situado entre Vila Viçosa e Alandroal, iniciou recentemente a presença efetiva de elefantes no espaço com a chegada de Julie, a última elefante de circo em Portugal. A chegada de Kariba mantém-se prevista, mas apenas deverá avançar quando a equipa veterinária considerar que a recuperação está concluída e que a viagem pode ser realizada em segurança.




















