Vertente do romance histórico vai ‘reinar’ no festival Culturfest em Alter do Chão

Castelo de Alter

A vertente literária do romance histórico vai ‘reinar’ na edição deste ano do festival Culturfest, em Alter do Chão (Portalegre), depois de um ano de interregno devido à pandemia da covid-19, anunciou hoje a organização.

Promovido pelo município, o festival vai decorrer a partir de quinta-feira até domingo, tendo como objetivo “transformar” a praça de armas do castelo daquela vila do Alto Alentejo num palco de conversas com historiadores e autores da vertente romance histórico.

“Este festival tem como objetivo a descentralização da cultura e a literatura é uma mais-valia em todos os aspetos. É importante começar a consciencializar os mais jovens para a importância da literatura”, disse a vice-presidente do município de Alter do Chão, Tânia Falcão, em declarações à agência Lusa.

A autarca, que tem a seu cargo o pelouro da Cultura, disse ainda que um dos objetivos desta edição passa por “dar a conhecer” a escrita e os escritores que estão a trabalhar a vertente do romance histórico.

De acordo com a organização, os escritores Domingos Amaral, Isabel Stilwell, Miguel Real e Raquel Varela são alguns dos nomes que vão participar nesta edição do festival, que há vários anos vem desenvolvendo um trabalho de programação cultural em diferentes áreas, como teatro, música e dança.

A sessão de abertura está agendada para sexta-feira, pelas 21:00, com uma conversa com Isabel Stilwell em torno de uma figura central no processo de reconquista e independência de Portugal, D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques.

Na tarde de sábado, pelas 16:00, as conversas vão navegar entre as memórias da rainha D. Amélia e a mudança de mentalidades em Portugal provocada pelo terramoto de 1755, através dos romances de Miguel Real.

Pelas 17:00, o escritor Domingos Amaral vai abordar o tema “Portugal e a Segunda Guerra Mundial”.

A programação de sábado termina pelas 21:00, com uma perspetiva sobre a ocupação africana de Portugal, através das palavras da são-tomense Olinda Beja, que vai abordar o processo de colonização visto a partir da perspetiva dos povos colonizados.

No domingo, o último dia do Culturfest, iniciar-se-á pelas 16:00 com uma conversa com a historiadora Raquel Varela sobre o processo de revisão histórica em curso.

O festival encerra com uma ‘viagem’ a um dos períodos “mais tumultuosos” da história de Portugal, o reinado bicéfalo de D. José e do Marquês de Pombal, do terramoto que arrasou Lisboa às intrigas palacianas que condenaram os Távoras.

Na quinta e sexta-feira estão agendadas visitas de autores como Afonso Reis Cabral, Carla Maia de Almeida, Joana Bértholo, Rachel Caiano ou Lúcia Vicente a todas as escolas do concelho, numa ação de promoção da leitura que será complementada com a oferta de um livro a cada aluno.

“As visitas às escolas são uma mais-valia extraordinária. A ligação dos escritores com os alunos no seu contexto escolar vai fazer com que estejam mais desinibidos, que coloquem mais questões, que partilhem as suas preocupações e que tenham uma atitude de curiosidade”, considerou ainda a autarca.

Paralelamente às sessões na praça de armas do castelo, decorrerá uma exposição naquele espaço histórico de ilustração de Paulo Galindro, bem como oficinas infantojuvenis dirigidas por Olinda Beja.

Haverá ainda lugar a uma “ação imersiva” de intervenção urbana, com a vila de Alter do Chão a “acordar” com um conjunto de frases e versos escritos nas ruas, de forma a tornar esta viagem literária “muito mais presente” no quotidiano daquela população.