A demissão da coordenadora e da diretora de comunicação da Equipa de Missão Évora_27 evidenciam “a gestão inadequada” da associação criada para a Capital Europeia da Cultura (CEC), criticaram hoje as duas vereadoras do PS na câmara.
Em comunicado enviado à agência Lusa, assinado por Lurdes Pratas Nico e Bárbara Tita, as duas vereadoras socialistas na Câmara de Évora, gerida pela CDU, consideraram tratar-se de “uma enorme injustiça”.
“Esta é uma situação reveladora da falta de bom senso dos intervenientes e uma enorme injustiça porque não integra, na associação, pessoas que antes tiveram um papel decisivo na escolha da candidatura vencedora de Évora para Capital Europeia da Cultura 2027”, argumentaram.
Além disso, destacaram estar preocupadas com “o atraso na execução” de Évora_2027, sustentando que este deve ser um projeto “que une todos os eborenses e alentejanos e não deve ser capturado por dinâmicas partidárias”.
As vereadoras lembraram que, na reunião camarária desta quarta-feira, já tinham manifestado a sua “grande preocupação” quanto ao “processo de constituição e funcionamento da Associação Évora 2027”, criada para gerir a CEC.
“Como evidência da gestão inadequada que tem sido concretizada na Associação Évora 2027, ocorreu hoje a demissão da coordenadora da Equipa de Missão que elaborou a candidatura, Paula Mota Garcia”, pode ler-se no comunicado das eleitas socialistas.
Num comunicado enviado hoje, a Évora_27 Capital Europeia da Cultura (CEC) revelou que a demissão de Paula Mota Garcia, coordenadora desde 2020 da equipa que preparou e desenvolveu a candidatura, foi comunicada, na quinta-feira, numa reunião da assembleia-geral da Associação Évora 2027.
“Face aos recentes desenvolvimentos na constituição da Associação Évora 2027”, a coordenadora da Equipa de Missão “comunicou a sua desvinculação da iniciativa”, foi indicado nessa nota de imprensa.
Na mesma assembleia-geral, também Marisa Miranda, responsável desde 2020 pela estratégia de Comunicação e Alcance de Évora _27, comunicou a sua demissão.
Marisa Miranda tomou esta decisão por, numa anterior assembleia-geral da associação, “a maioria dos presentes” ter decidido “que não reunia os requisitos necessários para assumir a Direção de Comunicação e Alcance” da nova entidade.
De acordo com o comunicado, atendendo à “exigência e rigor que o processo de implementação de Évora_27, tal como foi concebido e desenhado, implica, e que obrigam à constituição de uma equipa executiva competente, coesa e solidária”, Marisa Miranda disse que, “no atual quadro de governança, deixou de ter condições para continuar a trabalhar na iniciativa”.
As duas vereadoras do PS, agradecendo “o trabalho, conhecimento e tempo dedicados” à candidatura por Paula Mota Garcia e restante equipa, defenderam que os dirigentes da associação devem analisar “esta situação com a necessária responsabilidade” e afirmaram esperar que “tudo façam para considerar, valorizar e integrar as pessoas que tornaram possível o êxito da candidatura”.
Também hoje, em comunicado, a Direção da Organização Regional de Évora (DOREV) do PCP disse que “os últimos desenvolvimentos na construção” da CEC em Évora em 2027 “indiciam uma clara tentativa de afunilamento político” e criticou o “afastamento” dos dois elementos da equipa de missão.
A associação, cujo decreto-lei de criação foi publicado em Diário da República no final de 2023, tem como presidente indigitada a jurista Maria do Céu Ramos, que ainda não tomou posse.
Recentemente, foram nomeados o economista António Costa da Silva e o consultor Bruno Fraga Braz como diretores Financeiro e de Comunicação e Alcance, respetivamente.
A Associação Évora 2027 é formada pelo Estado, Câmara de Évora, Entidade Regional de Turismo e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, Universidade de Évora, Fundação Eugénio de Almeida e Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo.



















