Face às temperaturas de cerca de 30 graus que ainda se fazem sentir no Alentejo, muitos produtores de azeite estão preocupados com a campanha de azeitona, que já iniciou, mas deveria ter começado mais cedo.
O cenário foi avançado pela SIC e confirmado por Manuel Norte Santo, presidente do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), em declarações a’ODigital.pt.
“Verão tardio está a prejudicar a qualidade dos primeiros azeites”
Mesmo que “muitos produtores” já tenham começado e que o presidente preveja que a colheita seja “semelhante à do ano passado”, há uma preocupação “com as alterações climáticas”.
“Estamos a viver um ano tardio que está a prejudicar um bocadinho a qualidade destes primeiros azeites”, destacou Manuel Norte Santo, referindo ainda que “os seus aromas e sabores acabam por desaparecer um pouco com estas altas temperaturas”.
Como alternativa, explicou que há sistemas de refrigeração em utilização nos lagares “para combater estas temperaturas e proteger o produto final”. Porém, “são muitos poucos os que estão preparados”.
Lagares de azeite alentejanos não estão prontos para o calor
“Os nossos lagares de extração de azeite estão preparados para, se necessário, aquecer a massa para retirar azeite, não para refrescar”, acrescentou.
Desta forma, o presidente confessou que “há muita gente está a adiar o início da colheita, para que as temperaturas não se sintam com tanta intensidade”.
Alterações climáticas obrigam produtores a investir em refrigeração
Contudo, e tendo em conta que seria um “investimento considerável”, Manuel Norte Santo sublinhou que “nem todos os produtores terão essa capacidade”, mas “é algo que vai acontecer a curto prazo”.
“Os lagares e os produtores já olham para as tecnologias de refrigeração com outros olhos”, realçou, dizendo ainda que “de há alguns anos para cá, já existem produtores a adquirir este tipo mecânica e vai continuar a acontecer”.
Isto porque, “há alguns anos” o investimento “não era necessário”, pois o fenómeno meteorológico era “muito esporádico”, mas “estamos a ver que isto não é uma exceção, porque é realmente uma tendência”.
Mercado do azeite em alerta com stocks reduzidos
Em relação ao azeite, o presidente vincou que “os stocks que provêm da campanha anterior são muito reduzidos” e que, por isso, “o mercado procura e tem necessidade de ter azeite disponível”.
Assim, os primeiros azeites, normalmente no mercado em outubro, “acabam por ser bastante valorizados”, para além de ser “um azeite muita qualidade”: “São mais frutados, mais verdes, com características organoléticas distintas e de maior qualidade”.
“Se não conseguirmos proteger as suas características, obviamente que o azeite vai ser comercializado a um preço inferior e vamos perder dinheiro”, atirou Manuel Norte Santo.



















