A Câmara de Vendas Novas, no distrito de Évora, exigiu ao Governo o reforço dos serviços públicos locais, devido ao “aumento rápido” de trabalhadores imigrantes a residir no concelho, alguns em situação de sobrelotação.
“Vendas Novas é um local de tolerância e acolhimento e não está em causa recebermos os que fogem dos problemas dos seus países”, mas “temos que os receber em condições”, afirmou hoje à agência Lusa o vice-presidente do município, Valentino Salgado Cunha (PS).
O autarca, que tem a seu cargo o pelouro do Desenvolvimento Social e Inclusão, falava à Lusa a propósito de uma reunião com a secretária de Estado da Igualdade e Migrações, Isabel Almeida Rodrigues, realizada esta semana sobre a imigração no concelho.
O vice-presidente disse que a câmara solicitou à secretária de Estado para, “junto dos colegas de Governo, fazer pressão para o aumento de médicos” em Vendas Novas, uma vez que já existia essa carência e “a situação ficou agora mais agravada”.
O mesmo autarca acrescentou também ter alertado a governante para a necessidade de se proceder à “ampliação das escolas”, cuja capacidade já está “no limite”, e ao “aumento dos meios da GNR”.
“A única coisa que exigimos é termos condições para os que já cá estão, para aqueles que vêm e para que todos possamos viver em sociedade e comunidade, com escolas para todos, médicos para todos e segurança para todos”, vincou.
Segundo Valentino Salgado Cunha, este concelho alentejano regista, desde 2019, “uma tendência de aumento da imigração”, sobretudo, de pessoas oriundas de países como Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão.
“Só este ano, a Junta de Freguesia de Vendas Novas já registou mais de 500 pedidos de certidão de residência, o que é um número expressivo” para “uma terra com cerca de 12 mil habitantes”, sublinhou.
O autarca frisou que “é muito difícil” a autarquia ter “uma noção clara” do número de trabalhadores imigrantes que residem no concelho e que os dados da junta de freguesia são “a única maneira” de ter uma ideia.
Para o vice-presidente, este crescimento populacional “tem implicações ao nível da saúde, educação e segurança”, porque os serviços públicos dessas áreas não estão preparados para “um aumento tão rápido da população”.
Por outro lado, Valentino Salgado Cunha disse que também avisou a secretária de Estado da Igualdade e Migrações para a existência no concelho de de “situações em que os imigrantes vivem em condições de sobrelotação”.
“Temos registos de habitações que têm 18 pessoas a viver lá”, adiantou, referindo que são “casas pequenas” com dois ou três quartos.
De acordo com o autarca, os trabalhadores imigrantes que vivem em Vendas Novas trabalham em unidades industriais situadas na cidade e outros em estufas de grandes dimensões localizadas fora do concelho, nomeadamente na zona de Pegões, Montijo (Setúbal).
Aludindo a situações semelhantes em vários concelhos do Alentejo e do Ribatejo, o vice-presidente da Câmara de Vendas Novas defendeu que terá que haver “uma resposta coordenada em termos nacionais” pelo Governo.
“Os principais problemas não se resolvem com a criação de um Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes ou com um Plano Municipal de Inclusão”, acrescentou.















