A Universidade de Évora, em colaboração com a NOVA Medical School, apresentou os primeiros resultados do projeto RUN UP, um estudo pioneiro sobre a saúde e os estilos de vida das crianças do concelho de Évora. O projeto foi financiado pelo Comprehensive Health Research Centre (CHRC) e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, no âmbito do projeto UIDB/04923/2020.
O RUN UP contou com a parceria da Câmara Municipal de Évora e da Administração Regional de Saúde do Alentejo, reforçando o compromisso conjunto na promoção da saúde infantil. Foram recrutadas 1322 crianças dos quatro Agrupamentos de Escolas de Évora, das quais 845 participaram no estudo.
Os investigadores recolheram dados através de questionários preenchidos pelos encarregados de educação, medições antropométricas e testes de competência motora em contexto escolar. O estudo analisou hábitos de atividade física, sono, alimentação, tempo de ecrã e indicadores de saúde mental.
Os resultados revelam uma prevalência de 32% de excesso de peso e obesidade, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde. Quase 39% das crianças consomem snacks doces e salgados quatro ou mais vezes por semana, e cerca de 19% ingerem refrigerantes ou sumos açucarados com igual frequência. Apenas 57,5% consomem hortícolas de folha três ou menos vezes por semana.
No domínio da atividade física, 63% das crianças não cumprem as duas horas diárias de brincadeira ativa recomendadas durante a semana, e 23% não o fazem ao fim de semana. Relativamente ao sono, 18% dormem menos do que as nove a doze horas recomendadas nos dias úteis. O estudo indica ainda que 47% das crianças passam mais de uma hora diária em frente a ecrãs, e 8% excedem as três horas.
A competência motora média situou-se no percentil 50. Foram identificadas dificuldades associadas à hiperatividade e a problemas emocionais. Segundo os investigadores, os estilos de vida pouco saudáveis estão fortemente ligados a níveis mais baixos de competência motora. As crianças com excesso de peso apresentaram um risco três vezes superior de baixa competência motora face às de peso normal. O risco cardiometabólico aumentou esse valor em oito vezes.
Gabriela Almeida, investigadora principal do projeto e docente do Departamento de Desporto e Saúde da Universidade de Évora, afirmou que «os resultados do estudo RUN UP oferecem uma fotografia detalhada da saúde das crianças do Município de Évora, permitindo compreender os principais desafios que enfrentam». A investigadora acrescentou que o trabalho «constitui uma base científica sólida para apoiar a definição de uma estratégia local de promoção da saúde infantil», salientando que a identificação dos fatores de risco permitirá «desenvolver medidas mais direcionadas e sustentáveis, adaptadas à realidade local».



















