A Universidade de Évora participa no projeto europeu «Age Against The Machine», que pretende promover a consciencialização sobre o idadismo através das artes performativas. A iniciativa, apoiada pela Comissão Europeia no âmbito do programa CERV – Rede de Cidades, reúne entidades de seis países europeus.
O projeto arrancou oficialmente em abril de 2024, em Novi Sad, na Sérvia, com a presença de representantes dos parceiros envolvidos. Entre as instituições participantes estão a Fundação Capital Europeia da Cultura e a Cruz Vermelha da Sérvia, o Nordisk Teaterlaboratorium (Dinamarca), a Compagnia Il Melarancio (Itália), o Teatr Brama (Polónia) e a Universidade de Évora.
Investigação e envolvimento comunitário no Alentejo
A Universidade de Évora é a única instituição de ensino superior a integrar este consórcio internacional. O trabalho desenvolvido pelas investigadoras Isabel Bezelga, Ana Moya e Daniela Salazar, do Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA), tem como foco documentar e agregar metodologias criativas e participativas aplicadas em cada país.
Segundo Ana Moya, investigadora responsável pelo projeto na Universidade de Évora, «o CHAIA está inserido no Alentejo, uma das regiões mais envelhecidas do país, o que torna essencial a parceria com a Câmara Municipal de Évora». O grupo de participantes locais é composto por elementos dos núcleos de apoio à comunidade sénior da autarquia.
Teatro e diálogo intergeracional
No âmbito do projeto, foi criada a performance teatral «Velhas? Quem disse? Ainda aqui estamos». O espetáculo junta onze mulheres do grupo sénior da Câmara Municipal de Évora e quatro estudantes de Teatro da Universidade de Évora.
A produção conta com uma equipa de investigadores e estudantes da Escola de Artes, responsável pela direção, dramaturgia, encenação e comunicação. Através desta criação coletiva, o projeto aborda temas como a identidade, os estereótipos de género e as relações interpessoais na comunidade.
Uma das particularidades do projeto em Portugal é a integração de mulheres de várias idades, o que reforça o caráter intergeracional da iniciativa. Além de promover o diálogo entre gerações, o «Age Against The Machine» visa contribuir para políticas europeias mais inclusivas relativamente às populações idosas.
Agenda europeia e resultados esperados
O projeto decorre até janeiro de 2026 e inclui seis estreias de espetáculos comunitários nos países parceiros, a partir de outubro de 2024. Estão também previstos cinco festivais «Age Against The Machine» em cidades como Holstebro, Cuneo, Évora, Goleniów e Novi Sad.
Durante a conferência final, em Belgrado, a Cruz Vermelha Sérvia apresentará recomendações dirigidas a decisores políticos e ao público europeu. A Universidade de Évora será responsável por monitorizar a eficiência metodológica e inovadora do trabalho artístico desenvolvido, culminando na publicação de um artigo científico.
Próximas apresentações em Portugal
Em 2024, o projeto realizou apresentações em Évora e participou no primeiro festival internacional, na Dinamarca. Em 2025, as atividades estendem-se ao território nacional, com nova apresentação agendada para 8 de fevereiro, às 21h30, no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz.
Posteriormente, o projeto integrará o Festival Internacional do Projeto, em Itália, reforçando o papel da Universidade de Évora na promoção da igualdade e da consciencialização social através da arte.



















