Mais de 400 especialistas reunidos em Évora lançaram um alerta crítico para a situação da toupeira-de-água na Península Ibérica, durante o XVII Congresso Ibérico de Mamalogia.
O encontro decorreu entre 5 e 8 de dezembro, na Universidade de Évora, e reuniu investigadores de Portugal, Espanha e outros países, dedicados ao estudo e conservação dos mamíferos.
Uma sessão inteira foi dedicada ao cenário considerado crítico da toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus), espécie semiaquática que apresenta um declínio acentuado em várias regiões.
Os investigadores sublinharam a necessidade urgente de estratégias de conservação transfronteiriças e de estimativas populacionais globais rigorosas, alertando para o risco de desaparecimento silencioso da espécie.
O congresso evidenciou a importância da cooperação entre Portugal e Espanha, defendendo que a biodiversidade não reconhece fronteiras administrativas.
Apesar do alerta, o encontro destacou também exemplos de sucesso, como a recuperação do lince-ibérico, tema de várias comunicações centradas na gestão genética e na conectividade entre populações.
O programa científico incluiu 277 comunicações, entre apresentações orais e pósteres, duas sessões plenárias e três workshops técnicos, abordando desde grandes carnívoros a micromamíferos.
Outros temas em destaque foram o lobo-ibérico, os impactos das infraestruturas rodoviárias na fauna e a conservação do gato-bravo, nomeadamente os riscos de hibridação com gatos domésticos.
Os avanços tecnológicos na monitorização da fauna estiveram também em evidência, com estudos baseados em ADN ambiental, foto-armadilhagem e inteligência artificial.
No encerramento, os participantes reforçaram que a partilha de dados e a ação conjunta são determinantes para replicar casos de sucesso e evitar a perda de espécies ameaçadas, como a toupeira-de-água.


















