A Fundação UNITATE vai criar dois cafés comunitários em Borba e Vila Viçosa, num projeto que pretende juntar cafetaria, cultura, convívio intergeracional e participação da comunidade. As duas primeiras unidades do UNITATE Café deverão abrir em outubro de 2026, com um investimento global estimado em cerca de 110 mil euros.
O projeto prevê a criação de uma unidade no UNITATE Campus, em Borba, e outra na Avenida 25 de Abril, em Vila Viçosa. Em declarações ao ODigital.pt, Tiago Abalroado, presidente da fundação, explicou que o objetivo é criar espaços “de natureza comunitária, onde as pessoas podem ir a qualquer momento”, com uma “componente “maior vocação” social e cultural associada ao funcionamento diário de uma cafetaria.
Segundo o presidente, o UNITATE Café pretende reunir “a própria dimensão tradicional da cafetaria, com uma dimensão de encontro e de partilha entre as pessoas”, onde cada espaço deverá incluir zona de cafetaria, área de descanso, palco, espaço para exposições e capacidade para acolher diferentes iniciativas promovidas pela própria comunidade.
Café como ponto de partida para a comunidade
A ideia, segundo Tiago Abalroado, é que o ato de tomar café possa funcionar como “ponto de partida” para conversas, encontros, projetos culturais e iniciativas locais. O presidente da Fundação UNITATE defendeu que estes espaços devem ser “construídos com a participação das pessoas e não apenas pensados como locais de consumo”.
“O espaço será sempre aquilo que as pessoas quiserem que ele seja”, sublinhou, explicando que a Fundação terá a responsabilidade de” organizar a programação” e garantir que “diferentes iniciativas possam ter lugar” nos dois cafés.
A programação poderá incluir música ao vivo, exposições, apresentações de livros, encontros com poetas populares, tertúlias, ateliers, iniciativas com escolas, associações, artistas, parceiros locais e projetos da própria Fundação UNITATE.
“Tudo pode partir de uma simples conversa de café”, afirmou Tiago Abalroado, ao explicar que a intenção é “criar condições” para que as pessoas se encontrem, partilhem saberes e possam também dinamizar atividades.
Investimento ronda os 110 mil euros
O investimento previsto para os dois primeiros UNITATE Café ronda os 110 mil euros. De acordo com Tiago Abalroado, a unidade de Borba deverá representar um investimento de cerca de 70 mil euros, enquanto o espaço de Vila Viçosa deverá envolver cerca de 40 mil euros.
A diferença de valores está relacionada com as características de cada espaço. O espaço de Borba será maior e terá uma componente de cozinha associada, onde será feita a confeção dos alimentos, que depois seguirão para os estabelecimentos, segundo o presidente.
A oferta diária deverá incluir cafetaria, chá, pastelaria, refeições leves e produtos ajustados a diferentes momentos do dia. No entanto, Tiago Abalroado sublinhou que a proposta “não se limita à componente comercial”.
As receitas geradas pelo UNITATE Café ficarão na fundação e serão depois canalizadas para o “trabalho social da instituição”, contribuindo para “reforçar respostas sociais, projetos e capacidade de intervenção junto da comunidade”.
Borba e Vila Viçosa com dinâmicas diferentes
As duas unidades terão vocações complementares. Em Borba, o UNITATE Café ficará integrado no UNITATE Campus e terá uma ligação direta às respostas sociais, à habitação cooperativa, ao colégio, aos residentes, às famílias e aos visitantes daquele espaço.
Tiago Abalroado explicou que a localização do Campus, afastada do centro da cidade, torna importante a existência de um espaço de cafetaria e refeições leves para quem ali vive, trabalha, estuda ou visita.
Já em Vila Viçosa, a unidade ficará localizada na Avenida 25 de Abril, numa zona urbana e de maior proximidade à vida diária da comunidade. Por estar numa das principais artérias da vila, o espaço deverá ter uma dinâmica mais quotidiana e acessível.
“O conceito será semelhante, mas com a consciência de que a dinâmica será diferente, porque a localização é diferente”, explicou o presidente da fundação.
Café Memória ligado ao combate ao isolamento
Uma das componentes do projeto será a implementação da metodologia Café Memória. A ideia já estava prevista no âmbito do projeto CLDS de Vila Viçosa e está ligada ao convívio, à partilha de experiências e à realização de sessões coletivas.
Esta dimensão pretende reforçar a participação familiar, a estimulação da memória e o combate ao isolamento social, sobretudo junto da população mais velha. O conceito procura também aproximar diferentes públicos, incluindo seniores, famílias, jovens, cuidadores, artistas, voluntários, associações e comunidade em geral.
Tiago Abalroado refere que o objetivo é que as pessoas sintam estes espaços como seus. “Acima de tudo, que se apropriem deles. Isso é o mais importante”, afirmou.
Para o presidente da Fundação UNITATE, o projeto deve permitir acolher pequenas iniciativas, mas com relevância comunitária. “É esta realidade mais próxima e mais à medida daquilo que as pessoas possam querer dela”, acrescentou.
A Fundação UNITATE assume que o conceito poderá crescer no futuro para outras localidades, depois desta primeira fase em Borba e Vila Viçosa.


















