“Um aquecedor a óleo pode atingir custos superiores a 8€ por dia em eletricidade”, diz Ass. Zero

Aquecedor

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável veio a público, este fim-de-semana, alertar para os enormes custos de aquecimento das casas nestes dias de frio, alertando assim para a urgência da eficiência energética.

Segundo a associação, “o frio que assola Portugal nos últimos dias deve levar a medidas imediatas por parte dos consumidores e à aceleração das estratégias de combate à pobreza energética e de renovação de edifícios”.

Em Portugal, diz a Associação que “a forma mais escolhida para se aquecer a casa passa por recorrer à climatização ativa através de aquecedores locais como irradiadores a óleo ou termoventiladores”, destacando o fato de “estes equipamentos serem escolhidos pelo baixo preço de aquisição e rapidez de colocação em funcionamento, mas são os sistemas mais ineficientes, traduzindo-se num custo significativo para os utilizadores em termos de utilização.”

“O custo com eletricidade de um único aquecedor a óleo pode ser facilmente superior a 8 Euros por dia. O que se paga em eletricidade durante uma semana de um aquecedor a óleo ligado é superior ao seu custo”, indica a Zero.

A Zero considera que “é fundamental alertar as famílias, nomeadamente as que tenham capacidade e conhecimento para o fazer, para avaliarem o uso dos equipamentos de aquecimento e monitorizarem os seus contadores de eletricidade e gás, esperando-se já gastos muito acrescidos neste mês.”

A Associação apresenta aquilo que considera deverem ser as necessidades prioritárias de Investimento no conforto, quer para os consumidores, para o curto e o longo prazo, quer para as iniciativas do governo:

“Para os consumidores e no curto prazo, a ZERO considera que as prioridades fundamentais devem ser:

  • proceder à calafetagem de portas e janelas que estejam a conduzir a uma entrada significativa de ar frio na habitação;
  • conseguir conforto através do uso de roupa quente e confortável;
  • fazer um uso cuidadoso dos aquecedores a óleo e termoventiladores, desligando-os durante a noite e regulando adequadamente a temperatura de funcionamento evitando coloca-los no máximo (em que os equipamentos permanecem quase de certeza sempre ligados);
  • recorrer de forma ao uso de biomassa através da queima de lenha em lareiras, evitando as lareiras abertas, e usando recuperadores de calor ou sistemas a pellets; a sua utilização deve ser no entanto moderada, porque a queima de biomassa, de acordo com o tipo de instalação, pode causar uma poluição do ar significativa por partículas e pode também prejudicar a qualidade do ar interior, podendo em algumas situações, tal como aquando do uso de braseiras, provocar intoxicações por monóxido de carbono que podem levar à morte.

Para os consumidores no longo prazo, ponderar:

  • isolamento térmico com ecomateriais ou materiais reciclados, em coberturas ou pavimentos interiores ou exteriores, em paredes exteriores ou interiores;
  • a substituição dos envidraçados, aplicando melhores janelas nas habitações, que reduzem significativamente as perdas de calor para o exterior, beneficiando-se também de uma redução do ruído exterior; este material tem já também uma etiqueta energética, para ajudar o consumidor a fazer uma escolha mais eficiente aquando deste investimento;
  • investimento em equipamentos como  ar condicionado/bomba de calor que, embora apresentem um custo elevado e impliquem algum ruído, têm uma eficiência na produção de calor quatro a cinco vezes superior à de um irradiador a óleo.
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Em termos de intervenção do governo:

  • é fundamental tomarmos conhecimento da estratégia para a reabilitação de edifícios públicos e privados, que em nosso entender é a medida verdadeiramente estruturante e de longo prazo necessária implementar e cujo avanço deve ter lugar em breve; o valor anunciado de 620 milhões é muito significativo mas poderá relevar-se mesmo assim insuficiente, podendo em conjunto com outras iniciativas ser devidamente alavancado para dar uma resposta mais abrangente às necessidades de remodelação do edificado;
  • a estratégia de combate à pobreza energética é um elemento essencial para lidar com a incapacidade de muitas famílias para conseguirem garantir conforto térmico nas suas casas; a ZERO concorda que, em muitos casos, a comparticipação direta do Estado a 100% através de financiamento direto de obras é essencial;
  • a necessidade de extensão do financiamento entretanto esgotado do Fundo Ambiental no âmbito do Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis.”