Terça-feira, Agosto 16, 2022
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Ucrânia: Chuva ‘dá tréguas’ e sol brilha à chegada de quase 40 refugiados ao Alentejo

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A chuva ‘deu tréguas’ e o sol brilhou no preciso momento em que chegaram, hoje à tarde, 37 refugiados ucranianos, incluindo crianças, a Castelo de Vide (Portalegre), sob um forte aplauso de quem os aguardava.

Os refugiados viajaram desde a Roménia, para onde fugiram, até Portugal, trazidos por um grupo de voluntários da zona de Lisboa, e foram acolhidos na Casa Diocesana de Mem Soares, em Castelo de Vide.

À sua espera, estavam pessoas da comunidade local, elementos da Cáritas Diocesana de Portalegre – Castelo Branco, da Cruz Vermelha e de outras entidades, que os receberam com emoção e muitos aplausos, constatou a agência Lusa no local.

Este grupo de 37 ucranianos, distribuídos pelas seis carrinhas que fizeram o percurso até ao Alentejo, incluiu várias crianças e jovens, com idades entre os cinco meses e os 17 anos.

Após o almoço, servido poucos minutos após a sua chegada à casa diocesana, uma das refugiadas, Nastya Naidenova, explicou aos jornalistas que viajou acompanhada pela filha, o namorado desta e uma amiga e os seus dois filhos.

Residente na cidade de Mykolaiv (no sul da Ucrânia), Nastya Naidenova relatou que a sua cidade está a passar por uma “guerra terrível”.

“O meu marido, os meus pais e os pais do meu marido ficaram em Mykolaiv, porque ele não pode sair para outro país, está a lutar. É terrível”, lamentou.

A refugiada, que destacou o “grande coração” dos voluntários envolvidos na missão, explicou ainda que fugiu da Ucrânia para a Roménia e escolheu Portugal como destino porque é onde reside a irmã da amiga que viajou consigo.

“Queremos voltar à Ucrânia e acreditamos que isso vai acontecer e que vamos poder voltar para o pé dos nossos pais, família, marido, porque é muito duro, estamos muito longe da nossa casa”, observou.

Os cidadãos ucranianos vão ficar na casa-abrigo de Mem Soares durante uns dias, até terem a sua situação resolvida com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a Segurança Social e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), entre outras entidades.

De acordo com o presidente da Cáritas Diocesana de Portalegre – Castelo Branco, Elicídio Bilé, serão depois alojados nas antigas instalações da Residência de Estudantes de Portalegre, propriedade do município.

“Os refugiados que saírem de Mem Soares vão ficar na antiga Residência de Estudantes de Portalegre até ganharem alguma autonomia, até conseguirem um emprego ou uma família de acolhimento. Há duas famílias que vão já sair para Estremoz (Évora)”, disse.

O responsável explicou ainda aos jornalistas que este grupo de voluntários transportou para Portugal 52 refugiados, mas, entretanto, alguns já ficaram em casa de familiares nas cidades de Lisboa, Porto e Santarém.

António Lopes Cardoso, porta-voz do grupo de voluntários que foi buscar este grupo à Roménia, explicou aos jornalistas que esta missão foi desenvolvida “em família” e em conjunto com outros voluntários, tendo envolvido um total de 10 carrinhas, das quais seis ‘rumaram’ a Castelo de Vide.

Os voluntários, ligados à Paróquia de Queluz, no concelho de Sintra (Lisboa), manifestaram-se “impressionados” com a forma de viver e de ser dos ucranianos que transportaram até Portugal.

“São pessoas que estavam à nossa espera, ao frio, em Bucareste, muito ordenadas, muito simpáticas, são pessoas cultas”, disse.

António Lopes Cardoso garantiu ainda que esta é a “primeira de várias missões” que querem desenvolver nos próximos meses.

“Esta [missão] foi uma espécie de viagem de prospeção que nos permitiu estar no terreno e perceber o que se está a passar. Já temos contactos muito concretos nas fronteiras e isso permite-nos abrir portas para trazer mil refugiados, que é o que pretendemos”, disse.

De acordo com o voluntário, a próxima missão deverá ocorrer no início do mês de abril, estando também a Cáritas e a Câmara de Portalegre, assim como a delegação local da Cruz Vermelha, recetivas para acolher mais refugiados.

A Rússia lançou, a 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia, depois de meses a concentrar militares e armamento na fronteira com a justificação de estar a preparar exercícios.

A guerra já matou pelo menos quase mil civis e feriu cerca de 1.500, incluindo mais de 170 crianças, de acordo com as Nações Unidas. Além disso, o conflito provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas das suas casas, entre as quais mais de 3,3 milhões para os países vizinhos.

Segundo a ONU, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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